A tragédia de 2006 no supermercado Extra por um show do RBD

A tragédia marcou uma das vindas ao Brasil feita pela banda em 2006.

Imagem de mulher de cabelos loiros com microfone na mão preocupada, ao lado de uma mulher de cabelos ruivos. Anahí e Dulce Maria da banda RBD. Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=NZZpnwKpCS0

Já que tiramos a semana para falar de RBD, isso me lembrou de um acontecimento de 2006 que marcou uma das vindas da banda ao Brasil, uma tragédia que acabou com a vida de três pessoas e deixou mais de 40 pessoas feridas no estacionamento do Supermercado Extra no Shopping Fiesta.

Era Fevereiro de 2006 e a banda RBD desembarcou ao Brasil para promover o primeiro álbum chamado Rebelde lançado em 2004 junto com a versão português que foi lançada em 2005, eles eram vendidos na rede de supermercados Extra na época, por causa disso, o Extra decidiu promover um evento onde os integrantes apresentariam algumas músicas no palco montado no estacionamento do local, porém, não tinha estrutura o suficiente para receber a quantidade de pessoas presentes ali,  e haviam somente três seguranças, ou seja, a desgraça estava feita, ou pior, aconteceu, pois um alambrado cedeu e muitas pessoas foram pisoteadas, fazendo três pessoas falecerem na tragédia: Jennifer Chaves de 11 anos, Fernanda Silva Pessoa de 13 anos e Claudia Oliveira Sousa de 38 anos.

Por causa da tragédia, a aparição da banda no programa Domingo Legal foi cancelada, porém, eles foram obrigados a realizar uma sessão de fotos por questões contratuais, inclusive, essas fotos foram usadas mais tarde para a versão em português do álbum Nuestro Amor. Os integrantes se manifestaram através do Programa do Ratinho na época, falando que estavam muito tristes com o ocorrido, eles iriam cantar quatro músicas, quando estavam cantando a segunda, os retiraram de lá, também falaram que vieram com todo o amor e com a intenção de entretê-los, estavam tristes e impressionados com tudo, também desejaram os pêsames para as famílias.

Alfonso Herrera deu uma entrevista para o El País em 2023 e comentou sobre a tragédia, revelando que ainda sentia medo de ir em lugares com muitas pessoas, na época, os membros da banda estavam sozinhos e eles se apoiaram porque não tinham apoio psicológico para lidar com aquela situação.

No dia seguinte a tragédia, a plataforma O Fuxico conseguiu falar com uma fã que contou em detalhes o que havia acontecido, onde ela explicou que a fila de autógrafos era para ter 100 pessoas no máximo, mas na hora que ela chegou, já estava lotado, com fãs vindos até mesmo da Bahia, ela também afirmou que tentou chegar na frente do palco com o seu amigo, mas sem sucesso, eles conseguiram dar uma aproximada enquanto faziam amizade, logo os bombeiros começaram a jogar água nas pessoas para refrescar, o empurra-empurra era horrível, a fã relatou que perdeu os seus sapatos e as pessoas pareciam não ligar para o que estava acontecendo, ela começou a passar mal e se lembra apenas que a levantaram porque ela desmaiou e que seu amigo lhe contou que ela surfou na galera ainda meio grogue até chegar em um segurança, que a levou para a enfermaria, onde ela ficou meia hora.

Após voltar ao normal, a fã relata que foi embora da enfermaria para procurar a mãe de seu amigo, ele e o irmão dele, ela chorava em desespero a procura deles e entrou no supermercado para comprar sapatos, mas ao chegar lá, viu as pessoas comprarem cadeiras para ficarem mais altas e verem melhor a banda, ela fez a mesma coisa, tirou fotos, depois foi para a frente do palco, quando começou a tocar Salva-me, a música não chegou ao refrão, porque a multidão foi para frente como se tivesse liberado espaço para os fãs se aproximarem, a música parou e os integrantes do RBD foram retirados do palco, um cara começou a mandar todos irem embora dizendo que o evento havia acabado e que haviam feridos no local, essa fã relatou que foi mais para a frente do palco para ver se seu amigo estava entre os feridos, se deparou com algo horripilante: haviam chinelos, tênis, brincos, CDs do RBD jogados no chão, uma fila de cinco pessoas uma atrás da outra caídas, o ferro havia caído no chão por causa da força que os fãs fizeram, a fã afirmou que era trágico ver pessoas deitadas no chão chorando, umas indo embora sem receber ajuda pisando em cima das pessoas caídas.

Na época, o Ministério Público abriu um inquérito para investigar o tumulto no evento, segundo o Gazeta do Povo, a Promotoria da Vara da Infância e Juventude queria apurar a responsabilidade dos organizadores do evento, que foi anunciado como uma sessão de autógrafos, gerou tumulto e acabou matando três pessoas pisoteadas, o promotor da época afirmou que as notícias iniciais alegavam que o Supermercado Extra e a gravadora EMI não haviam pedido a autorização da Vara da Infância, que seria necessário para realização de eventos voltados para menores de idade, já que os fãs da banda eram, em sua maioria, crianças e adolescentes, a polícia estimava que haviam 20 mil pessoas no evento. Foi ressaltado que mesmo tendo sido anunciado como uma sessão de autógrafos, os organizadores improvisaram um pequeno show em um lugar que não tinha estrutura para abrigar um evento desse porte.

Alguns dias depois, o estacionamento onde ocorreu a tragédia foi interditado pela Secretaria de Habitação de São Paulo, a Gazeta do Povo afirmou que técnicos estavam no local para inspecionar e se constatou que eles não tinham laudo de vistoria do Corpo de Bombeiros para fazer o show e a subprefeitura da região também afirmou que eles não tinham autorização para realizar os eventos naquele local, essa medida de interdição foi tomada por causa do evento.

Além disso, o Extra Hipermercados da zona sul de São Paulo recebeu uma multa de R$ 1.600,00 aplicada pela subprefeitura e a rede de hipermercados ainda não tinha apresentado os documentos que foram exigidos pela subprefeitura e o Shopping Fiesta que funcionava no mesmo espaço, entregou só o alvará de funcionamento, além de lacrar um miniparque de diversões que estava funcionando no mesmo estacionamento, naquela época, a polícia tinha ouvido 36 pessoas que foram feridas no tumulto e os Promotores de Justiça estavam se preparando para pedir indenização para as vítimas da tragédia.

Alguns meses depois, em Abril do mesmo ano, a Folha de São Paulo noticiou que o Ministério Público Estadual entrou com uma ação civil pública responsabilizando o grupo Pão de Açúcar e a gravadora EMI pela tragédia e pediram para que ambos indenizassem todos os participantes que foram afetados pelo tumulto que aconteceu naquele show e os valores seriam decididos na hora da sentença, além disso, a ação solicitou que a justiça proibisse as duas empresas de organizar, promover ou coordenar eventos sem a autorização prévia da administração pública e dos órgãos do judiciário com uma multa de R$ 1 milhão de reais em caso de descumprimento.

O caso foi relembrado em 2023 durante uma matéria do Profissão Repórter com a passagem do RBD pelo Brasil na sua turnê.

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