A verdadeira história de Pocahontas

 Uma história real que foi romantizada pela Disney.

Como 'Colors of the Wind', do filme 'Pocahontas', se tornou hino anti-Trump  de uma geração 

Mulher indígena de cabelos pretos, longos e lisos em frente a um céu azul. Filme Pocahontas. Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2025/07/01/como-colors-of-the-wind-do-filme-pocahontas-se-tornou-hino-anti-trump-de-uma-geracao.ghtml 

Se você foi uma criança do final dos anos 90 ou início dos anos 2000, já deve ter visto o filme, lido algum livro ou já deve ter ouvido falar de Pocahontas, um filme lançado em 1995 pela Disney que conta a história em 1607, quando um navio de colonos britânicos embarcam para um tal "Novo Mundo", entre eles está o capitão John Smith e o governador Ratcliff, que colocou em sua cabeça que os nativos americanos estão escondendo algum ouro e tenta ganhar algum benefício com isso, enquanto isso no Novo Mundo, Pocahontas é uma indígena filha do Chefe Powhatan e eles estão discutindo a possibilidade de ela se casar com Kocoum, que é um bravo guerreiro, mas que ela considera muito sério comparado a sua personalidade espirituosa, depois de um tempo, Pocahontas e John Smith se encontram e acabam se apaixonando um pelo outro...muito fofo...se não fosse pela história verdadeira por trás da animação.
 
O filme fez um enorme sucesso na época de seu lançamento e até um tempo depois, ao ponto que lançaram um Pocahontas II: Uma Jornada para o Novo Mundo, lançado em 1998, onde Pocahontas se torna Embaixadora da Paz e viaja para a Inglaterra com o intuito de se reunir com o Rei Jaime, o objetivo é mostrar para a nobreza e para a alta sociedade que o seu povo é civilizado, mas o governador Ratcliff tenta atrapalhar, além que colocam a personagem para escolher entre John Smith e John Rolfe. 
 
Acontece que depois de muito tempo e com o advento da internet, muitas pessoas pesquisaram e descobriram sobre a verdadeira história de Pocahontas, a história verdadeira viralizou nas redes sociais e fez muitas pessoas sentirem um certo nojo do filme da Disney, afinal, a Pocahontas existiu de verdade sob o nome de Matoaka ou Amonute, que nasceu em 1596, realmente sendo filha de um homem chamado Powhatan e eles moravam na região, que hoje, é conhecida como Jamestown, na Virgínia.
 
Desde que nasceu, Matoaka via a briga entre os estadunidenses e os colonos, mas ela tinha por volta de 10 a 12 anos quando salvou o verdadeiro John Smith de ser morto pelo seu pai, mas diferente do filme da Disney, ela não teve nenhum relacionamento amoroso com o homem, a verdade é que a ideia de que eles haviam se relacionado surgiu porque John Smith escreveu após a morte de Matoaka que a doce e bela filha de um poderoso líder nativo havia o resgatado da execução.
 
Segundo o Aventuras na História, Matoaka teria participado de mais dois conflitos contra os colonos, mas costumava visitar o local onde os europeus ficavam para ajudá-los com comida, porque o alimento era muito escasso naquela época. Infelizmente, com 17 anos, ela foi raptada por Samuel Argall e foi usada como moeda de troca para conseguir alguns prisioneiros de seu pai e ficou prisioneira por mais de um ano, foi então que ela conheceu John Rolfe, o verdadeiro homem pelo qual ela se apaixonou, ele tinha 28 anos, era viúvo e plantava tabaco, ele prometeu que a libertaria, desde que ela casasse com ele, a ideia foi aceita por ela, que passou a se chamar Rebecca, eles se casaram em 1614 , pouco tempo depois, tiveram o primeiro filho chamado Thomas, todos os seus descendentes passaram a ser chamados de Red Rolfe porque era como a Europa denominava a cor da pele dos estadunidenses, ela foi levada pela primeira vez para a Inglaterra pelo seu marido em 1616.
 
É dito que Matoaka trabalhou na Inglaterra como modelo em uma campanha que apoiava a colônia da Virgínia como um símbolo de paz entre os dois povos, infelizmente, ficou conhecida como "a selvagem domesticada" e isso gerou muitos elogios a John Rolfe porque ele teria ensinado cristianismo para ela...sim, é de dar muito ódio...
 
É dito que Matoaka chegou a reencontrar John Smith, ela não havia gostado da situação e tentou ignorá-lo, mas depois, voltou até o homem, o chamando de mentiroso e pedindo para que não se aproximasse mais dela.
 
Em 1617, enquanto a família estava voltando para a Virgínia em uma embarcação, Matoaka passou muito mal e faleceu aos 21 anos de idade, a verdadeira causa da morte nunca foi confirmada, mas especula-se que foi tuberculose, varíola, pneumonia ou envenenamento, ela foi enterrada dentro de uma igreja em Gravesend, mas o túmulo dela foi destruído depois que fizeram uma reconstrução no local. Após a sua morte, a comunidade de Powhatan e os europeus voltaram a entrar em conflito, e infelizmente, a comunidade de Powhatan foi dizimada e dominada pelos europeus.
 
Segundo a Wikipédia, foram escritos muitos romances sobre a história de Matoaka com o nome de Pocahontas, que significa criança mimada. Após a morte dela, todos retratavam uma história de amor entre ela e John Smith, enquanto John Rolfe era o vilão que havia a separado de Smith para se casar a força com ela. Hoje em dia, as pessoas tentam associar a árvore genealógica de Matoaka com o George W Bush, mas aparentemente, ele é descendente apenas de John Rolfe por um filho de um casamento que ele teve após a morte de Matoaka, porém é dito que Nancy Reagan, viúva do ex-presidente Ronald Reagan, é uma das pessoas confirmadas como descendente de Matoaka.
 
A Editora Wish afirma que o livro escrito pelo Dr. Linwood Custalow e por Angela L. Daniel chamado The True Story of Pocahontas: The Other Side of History publicada em 2017 foi baseada na tradição oral sagrada do povo Mattaponi, indo mais a fundo na história de Matoaka e falando que a moça foi a última filha do Chefe Powhatan conhecido como Wahunsenaca e a sua primeira esposa, que também foi nomeada como Pocahontas, com quem se casou por opção e amor. A mãe da menina teria falecido durante o parto e ela recebeu o nome de Matoaka porque significava flor entre dois riachos já que o povoado ficava localizado entre os rios Mattaponi e Pamunkey e os seus pais pertenciam cada um a um dos povoados, além de contar mais coisas aprofundadas da história.
 
Mas não posso dizer que Pocahontas se tornou 100% odiada pela população que conhece a história verdadeira do filme, afinal, o site O Globo afirma que em 2025, a música Colors of the Wind do filme da Disney se tornou um hino anti-Trump da nova geração, afirmando que em Janeiro do ano passado, Lanie Pritchett se mostrou descontente com a segunda posse de Donald Trump através da dublagem apaixonada da música do filme Pocahontas da Disney que resumiu os sentimentos dela no verso: "Você acha que as únicas pessoas que são pessoas são aquelas que se parecem e que pensam como você, mas se você seguir os passos de um estranho, aprenderá coisas que nunca soube".
 
Aparentemente, Lanie postou um vídeo no TikTok falando que isso era ela discutindo com os MAGA (Make America Great Again) pelos próximos quatro anos, ela também teria explicado na legenda que os seus pensamentos progressistas teriam decorrido, em parte, por Pocahontas da Disney ter sido o seu filme de princesa favorito quando criança e esse vídeo acumulou 500 mil visualizações...eu deixo para vocês debaterem sobre isso.
 
Lanie é uma mulher lésbica que foi criada por uma família conservadora do Texas e ela fazia apresentações na sala com a sua irmã enquanto o DVD de Pocahontas tocava Colors of the Wind no fundo, e agora, ela vê a letra da música como um comentário importante sobre inclusão queer, compreensão intelectual e ambientalismo, ela admite que o filme da Disney tem os seus problemas, mas que a música é realmente muito boa, de certa forma, ela não está tão errada, afinal, a letra da música ganhou diversas reinterpretações no TikTok para tecer comentários sobre diversos tópicos como imigração, Oriente Médio, Trump e Elon Musk, Black Lives Matter e exploração de petróleo, até a cantora Ellie Goulding fez a sua versão a capella com a legenda: "As cores do vento me radicalizaram." 

Comentários

Postagens mais visitadas