O perigo dos óculos de tarado!

 Porque os óculos da empresa responsável por Facebook, Instagram e Whatsapp são tão perigosos?

 Zuckerberg lança óculos inteligentes e promete avanço rumo à  'superinteligência'
Homem de cabelos encaracolados castanhos claros usando um óculos de armação grossa marrom com duas lentes de câmera em cada canto perto da lente do óculos. Mark Zuckerberg e o óculos inteligente da Meta. Fonte: https://www.infomoney.com.br/mundo/zuckerberg-lanca-oculos-inteligentes-e-promete-avanco-rumo-a-superinteligencia/

Um dia, um homem achou que teve uma grande ideia: criar um óculos inteligente que pudesse fotografar e gravar o ambiente a sua volta, mas será que ele foi tão ingênuo e inocente de pensar que isso não seria usado para outros fins? Ainda mais de um cara que criou uma rede social para decidir qual colega de classe era mais atraente? Pois vou explicar para vocês como o óculos inteligente da Meta se tornou conhecido como "o óculos de tarado".
 
Primeiro, o que são os óculos inteligentes? Segundo a própria Meta, eles foram criados para parecerem óculos de grau ou óculos de sol normais, mas incluem microfones, alto-falantes e câmeras por dentro, o objetivo seria responder mensagens, ver notificações e ligações apenas com o comando de voz, a pessoa podia ouvir músicas, podcasts ou ligações nos alto-falantes presentes nas hastes do óculos, além de tirar fotos ou fazer vídeos para registrar os momentos exatamente como eles acontecem, acontece que isso gerou discussões sobre privacidade.
 
Segundo O Globo,  o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e a Coding Rights acionaram o Ministério Público Federal (MPF), a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) em Agosto de 2026 contra os óculos da Meta, o motivo seria por permitirem gravação de vídeo e captura de áudio e fotos das pessoas ao redor sem a permissão delas e sem que elas percebam, isso cria riscos de violência, assédio e violações de direitos, especialmente contra menores de idade e mulheres, que são as principais vítimas, principalmente em praias, salas de aula, boates e em qualquer lugar que haja a oportunidade de ridicularizá-las, foi assim que os óculos ganharam o nome de "óculos de tarado", não apenas no Brasil, como na gringa também, ao ponto de um grupo de ativistas chamado "Todos odeiam Elon" espalhar cartazes em Londres com a imagem de Jeffrey Epstein usando os óculos da Meta e escrito: "Óculos para quem não faz questão de consentimento".
 
A Unisinos fez uma matéria falando sobre o grande problema dos óculos da Meta, relatando que influenciadores masculinos, criadores de conteúdo que atuam no lado "machosfera" da internet e comercializam a misoginia, tem publicado muitos vídeos nas redes sociais onde se filmam abordando mulheres com a intenção de flertar, orquestrando um assédio ao vivo, sem elas saberem que estão sendo filmadas, portanto, não autorizam que essas postagens sejam publicadas, então esses óculos seriam propícios para a criação de conteúdo misógino, transmitindo uma imagem clara de poder, além de reforçar as desigualdades existentes, representando uma ameaça direta a segurança de mulheres, que são as principais vítimas de violência digital, e abrem caminho para novas formas de assédio e abuso.
 
 
A Meta chegou a afirmar para o G1 que a câmera do óculos não captura a imagem quando a luz de LED está tampada, mas quando o G1 realizou o teste, a câmera continuou gravando ao ser dado um comando de voz, apenas enviando uma mensagem para liberar o sensor quando pressionaram mais forte com o dedo em um ambiente escuro. Sobre os vídeos das pegadinhas e outras coisas postadas com os óculos da Meta, o TikTok afirmou que analisou alguns dos vídeos que foram compartilhados pelo G1 na matéria deles e que todos foram removidos por violar as Políticas de Privacidade da Plataforma. 
 
Alguns casos foram denunciados nos Estados Unidos pela Mashable, onde criadores de conteúdo estavam usando os óculos da Meta para assediar mulheres e tirar sarro de moradores em situação de rua e trabalhadores, além disso, a MSC Cruzeiros, já em 2025, proibiu o uso dos óculos inteligentes nas áreas comuns dos navios, como em piscinas.
 
Aqui no Brasil, mais precisamente em Salvador, um ginecologista foi preso em Julho de 2026 como suspeito de usar o óculos inteligente durante uma consulta. A paciente relatou para a Polícia Militar que o ginecologista chamado Hosaná Pereira de Santana estava usando o dispositivo durante a realização de um exame ginecológico, e o que chamou a atenção da paciente foi que o óculos era de lentes escuras, um óculos de sol. Ao desconfiar da situação, a paciente ligou a câmera do celular e gravou o médico, o questionando, o que fez ele ficar nervoso. Após a denúncia e assim que chegaram ao local, os policiais foram avisados que o ginecologista teria deixado o local.
 
O ginecologista confessou o crime ao ser abordado e ter seu veículo interceptado pela polícia, afirmando que as imagens seriam usadas para pesquisas, entregando os óculos da Meta e o celular para a Polícia, a suspeita era que ele usava esses óculos desde Abril, mas não se tinha a informação se ele usava o óculos em todos os atendimentos que realizava. Infelizmente, o ginecologista foi solto depois da audiência de custódia, pois o juiz determinou que a prisão em flagrante era ilegal, mas não haviam mais detalhes sobre a decisão, já que o processo ocorre em segredo de justiça.
 
 
 
A Piauí também relatou alguns outros casos graves envolvendo os óculos da Meta, como um usuário chamado gg_dz7oficial que conseguiu 35 milhões de visualizações em um vídeo que mostra ele indo até o mercado para comprar um pepino, preservativo e lubrificante, fazendo a moça do caixa segurar a risada com a combinação sugestiva, a rede de supermercados falou para a revista que acionou o departamento jurídico, mas o dono do perfil não os respondeu.
 
Um caso mais agressivo também relatado pela Revista Piauí foi de Guilherme Angelicci, um carioca com 171 mil seguidores no Instagram, que se filmou entrando pela janela de um drive-thru e invadindo a cozinha, o que desesperou os funcionários do local. Também foi relatado que esses casos também tem acontecido nos Estados Unidos, que foi o polo que irradiou esse tipo de conteúdo, com homens constrangendo massoterapeutas perguntando se terá um final feliz quando a sessão terminar, e os óculos filmando a situação.
 
 
Claro, não é para menos, pois nas eleições municipais de 2024, no Pará, eleitores venderam o seu voto e foram para as urnas com o óculos da Meta, que recebeu o apelido de "Óculos-Espião" pelo Fantástico, o motivo de ir votar com o óculos? Confirmar se a pessoal realmente ia votar no vereador Edivaldo Borges Gomes. Os óculos chamaram a atenção de uma mesária, afinal, mais de uma pessoa teria entrado na mesma seção eleitoral com aquele objeto, ela relatou para a polícia que relatou a armação do óculos ser de uma espessura extensa, e depois, uma adolescente com o mesmo objeto no bolso, ela abordou a jovem, acionando os funcionários da Justiça Eleitoral, foi quando descobriram que o óculos tinha uma câmera acoplada, foi quando a jovem confessou que uma pessoa ofereceu R$ 200 reais para que ela votasse no vereador e ela só iria receber o valor se fosse comprovado através da filmagem. O vereador foi preso em flagrante, mas foi solto mediante a pagamento de fiança, mesmo assim, ele poderia responder pelo crime de compra de votos e associação criminosa.
 
O vereador teve o diploma cassado em 2026 pela Corte Eleitoral do Pará, além de três filhos dele serem condenados por participar do esquema de compra de votos. Segundo o G1, todos os votos recebidos foram anulados, uma multa de R$ 53.205,00 reais foi aplicada e ele ficou inelegível por oito anos, contados a partir de Outubro de 2024.

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