O projeto da Nasa com um golfinho que deu errado!

Os Estados Unidos acharam uma boa ideia ensinar um golfinho a agir como uma pessoa.

Margaret Lovatt na Dolphin House em St Thomas 

Imagem em preto e branco de mulher de cabelos escuros e pretos sorrindo usando uma roupa de mergulho preta, ao lado de um golfinho dentro da água do que parece ser uma piscina. Margaret Lovatt na Dolphin House em St Thomas. Fonte: https://www.theguardian.com/environment/2014/jun/08/the-dolphin-who-loved-me 

Golfinhos são criaturas que eu, particularmente, acho muito lindas quando estão vivendo livres na natureza, mas vocês sabiam que a NASA fez um projeto com um golfinho que deu tremendamente errado? Nós já ouvimos falar de animais marinhos sendo mantidos em cativeiro para fins de entretenimento, não faz muito tempo que assisti o vídeo do Arthur Viana contando sobre as orcas do SeaWorld, mas esse do golfinho me deixou mais embasbacada ainda.

Como sempre, me deparei com esse projeto quando estava rolando a timeline do Bluesky e dei de cara com a postagem de uma pessoa falando sobre uma pesquisa feita nos Estados Unidos onde queriam ensinar um golfinho a falar como humano, e então, construíram uma casa para que ele crescesse sendo educado como um humano por uma mulher sem credenciais, e como a pessoa colocou o link da matéria no final da thread, eu decidi ler e me deparei com algo que eu preciso compartilhar aqui, para vocês verem como os humanos são o maior motivo da humanidade estar...essa porcaria que está atualmente.

A matéria do The Guardian fala que na década de 1960, uma mulher chamada Margaret Lovatt fazia parte de um projeto que foi financiado pela NASA para se comunicar com golfinhos, e não demorou muito para que ela se deparasse que estava morando dentro de uma casa com um golfinho chamado Peter em uma pesquisa que deu tremendamente errado. Aparentemente, no Natal de 1963, o cunhado de Margaret mencionou sobre um laboratório secreto onde eles estavam trabalhando com golfinhos e ela decidiu fazer uma visita no início do ano seguinte, onde foi recebida por um homem alto com cabelo desgrenhado chamado Gregory Bateson, um grande intelectual do século XX e também era diretor do laboratório.

Segundo Margaret, após ela mencionar o motivo da visita para Gregory, ela foi convidada para conhecer os animais, pedindo para que ela os observasse e escrevesse o que ela via, e mesmo com a falta de embasamento científico, ela foi uma observadora intuitiva do comportamento animal e o diretor permitiu que ela os visitasse mais vezes. A mulher lembra que haviam três golfinhos chamados Peter, Pamela e Sissy, mencionando que Sissy era maior, insistente e alta, a que dirigia o show, já Pamela era tímida e temerosa, mas Peter era jovem, estava amadurecendo sexualmente e era um pouco impertinente.

A matéria afirma que os andares superiores do laboratório pairavam sob a piscina marítima que abrigava os animais e havia sido projetada para aproximar os humanos dos golfinhos, sendo criação do Dr. John Lilly, um neurocientista estadunidense que esperava se comunicar com os animais, nutrindo-os com a capacidade de emitir sons parecidos com os dos humanos através dos buracos. Esse cara estava muito entusiasmado com a ideia de se conectar com os golfinhos desde quando ficou de frente com uma baleia perto da sua casa em Massachussets alguns anos antes, ele não conseguia acreditar no tamanho do cérebro daqueles animais e imaginava o quão inteligentes eles podiam ser, e em todas as oportunidades que ele conseguiu nos anos seguintes, John Lilly e sua esposa Mary fretaram vários veleiros e cruzavam o Caribe procurando mais animais marinhos de cérebro grande para estudar, e foi em uma dessas viagens que eles se depararam com o Marine Studios em Miami, o primeiro lugar que mantinha o golfinho nariz de garrafa em cativeiro.

Foi aí que John Lilly teve a primeira oportunidade para estudar o cérebro dos golfinhos vivos, ao ponto de mapear córtex cerebral utilizando sondas finas desenvolvidas por ele mesmo pela primeira vez para seu trabalho em macacos rhesus, porém, não foi um trabalho fácil para ele, pois era incapaz de sedar os golfinhos por eles pararem de respirar sob anestesia e a pesquisa nunca terminava bem para os pobres golfinhos, porém, em 1957, o curso da pesquisa mudou quando Mary, a esposa de John, o viu com Alice, a assistente dele, fazendo um golfinho imitar a voz deles, então, na cabeça de John, os golfinhos tinham mostrado uma ambição de querer se comunicar como os humanos, foi a partir disso que John Lilly publicou o livro "Man and Dolphin" que capturou a imaginação do público e se tornou um best-seller.

Com a chegada de Margaret no início de 1964, ela rapidamente conseguiu se conectar com Peter, Pamela e Sissy com vontade de abraçar a ideia de John Lilly, isso fez com que a mulher passasse o máximo de tempo possível com os golfinhos e fazendo um programa de lições diárias que os incentivavam a emitir sons parecidos com os sons humanos, ela foi deixada sozinha para viver o sonho de John Lilly de ensinar os golfinhos a falar em inglês, porém, mesmo com a tecnologia do local, a pesquisa ainda enfrentava barreiras.

Se vocês, assim como eu, estão achando essa pesquisa maluca demais, é porque vocês, assim como eu, não estavam preparados para o que vem a seguir: Basicamente, Margaret Lovatt achou que era mais simples se ela pudesse passar o tempo todo vivendo com os golfinhos, ao ponto de colocar na cabeça de John Lilly que ela queria viver ali, óbvio que isso chamou a atenção do neurocientista e ele seguiu com a ideia, não demorou para os andares superiores do laboratório serem impermeabilizados para que inundasse as salas internas, além de criar uma varanda ao ar livre para permitir que os golfinhos morassem por três meses com Margaret no mesmo prédio, e qual foi o golfinho escolhido pela Margaret para continuar o experimento e morar com ela? O Peter, justo o golfinho jovem que estava amadurecendo sexualmente...puta merda!

Segundo Margaret, ela escolheu Peter para viver com ela porque ele não teve nenhum treinamento de som humano, diferente de Pamela e Sissy, a ideia era que ela vivesse isolada com Peter por seis dias, dormindo em uma cama improvisada na plataforma do elevador no meio do quarto, então, no sétimo dia, Peter volta para a piscina do mar com Pamela e Sissy. É dito que no verão de 1965, Peter já estava pronto e Margaret se pegou questionando o que ela estava fazendo ali, pois as demais pessoas humanas estavam do lado de fora jantando, e ela estava ali, porém, nunca se passou pela cabeça dela de não fazer o que estava fazendo, pois ela queria saber o que Peter e ela podiam fazer juntos ali...sim...ela falou isso mesmo...

Enquanto outras pessoas queriam fazer outros experimentos com os golfinhos, John Lilly continuava encorajando Margaret a ensinar inglês para Peter, porém, havia mais uma coisa "atrapalhando" o aprendizado: os impulsos sexuais. Basicamente, o veterinário Andy Williamson, que cuidava dos golfinhos no laboratório, afirmou que eles recebem impulsos sexuais e Peter parecia ter muitos pensamentos nessa linha, Margaret fala que o golfinho gostava de estar com ela, pois ele se esfregava no joelho dela, no pé dela ou até na mão dela, então ela começou a colocá-lo no andar debaixo com Pamela e Sissy, porém, transportá-lo estava a atrapalhando nas lições de inglês, e vendo as constantes excitações do golfinho, ela teve a "grande" ideia de aliviar os impulsos sexuais do golfinho...manualmente...

A matéria do The Guardian afirma que Margaret fala que não se sentiu desconfortável com isso, ela havia permitido isso e aquilo ia se tornar parte do que estava acontecendo como se fosse uma coceira, e por incrível que pareça isso não era algo privado, porque ela fala na matéria que as pessoas podiam observar isso, ela também afirma que era algo que ela considerava respeitoso, que não havia sido sexual da parte dela (mas talvez sensual...sim, ela fala isso na matéria) e isso fez ela sentir que teve uma conexão mais próxima com o golfinho, porém, a matéria explica que, por mais que fosse algo considerado tão ingênuo assim para Margaret, isso começou a atrapalhar ainda mais o experimento, principalmente quando a história deles apareceu na revista Hustler, e se a tradução estiver correta...a revista Hustler é uma revista pornográfica voltada para o público heterossexual masculino.

Margaret comprou todas as cópias que ela conseguiu encontrar na ilha, mas a edição do final da década de 1970 estava espalhada pelo resto do país fora daquele local, e segundo o The Guardian, circulam até hoje por aí, uma pessoa até abriu um debate sobre isso no Reddit, é aí que Margaret admite que isso foi um pouco desconfortável, ela leu em vários lugares como esse foi o pior experimento do mundo (eu achei também).

Mas calma que isso ainda não foi o único motivo de atrapalhar o experimento de ensinar Peter a falar o verbo to be, porque outra coisa surge: John Lilly começou a pesquisar sobre os poderes do LSD de alterar a mente, isso vinha acontecendo desde o início dos anos 60, pois ele foi licenciado para pesquisar sobre o LSD pelo governo estadunidense, e convencido de que essa droga tinha qualidades medicinais que podiam tratar pacientes de saúde mental, ele começou a injetar LSD em animais, usando os seus golfinhos com curiosidade para saber qual o efeito que teria neles...depois eu falo que a gente chega bem perto de um Resident Evil me acham maluca!

Para você que não faz ideia do que é LSD, o nome dela é dietilamida do ácido lisérgico, é uma droga alucinógena e psicodélica que pode afetar todos os sentidos, alterando pensamento, percepção do tempo e até as emoções dos usuários, podem causar alucinações que fazem a pessoa ver e ouvir coisas que não existem ou distorcidas. Segundo a Fundação Álcool e Drogas, LSD é uma substância química sintética encontrada no fungo ergot, que infecta o grão de centeio.

Enfim, com isso explicado, vamos continuar com a matéria do The Guardian, onde encontramos um John Lilly frustrado porque nada aconteceu com os golfinhos após ele injetar LSD neles, mesmo com várias tentativas, os animais não tinham qualquer reação com a droga. Margaret não era a favor dessas injeções com LSD, por isso, ela insistiu que essa droga não fosse dada para Peter, e John Lilly concordou, mas o laboratório ainda era dele, então ela não conseguiu impedi-lo de injetar o LSD em Pamela e Sissy.

Enquanto John Lilly estava fissurado no LSD com Pamela e Sissy, Margaret continuava ensinando Peter a falar inglês, ela afirma que isso estreitou a relação deles ao ponto de ela sentir falta quando ele não estava lá, de querer estar sempre lá com ele, e a coisa vai ficando ainda mais esquisita no decorrer do relato dela, até que chega o outono de 1966, e John Lilly não parecia mais tão interessado em querer saber se golfinhos podiam vocalizar como humanos, e por causa da arrogância do neurocientista com a forma como ele tratava o bem-estar dos golfinhos, ele afastou o diretor Gregory e o financiamento de suas pesquisas foi cortado, e como o experimento com Margaret estava concluído, o laboratório foi fechado.

Por causa da falta de financiamento, um problema surge: o destino dos golfinhos! Margaret não tinha como ficar com Peter, o desmantelamento do laboratório acabou se tornando trabalho dela e ela tentou enviar os golfinhos para o novo laboratório de John Lilly, porém, ao ser levado para um local menor e com menos conforto do que o laboratório anterior, Peter se deteriorou cada vez mais e não demorou para John Lilly telefonar para Margaret Lovatt avisando que Peter havia cometido suicídio.

Segundo a matéria do Uol sobre o caso de Peter, Ric O'Barry, o fundador do The Dolphin Project chegou a afirmar que os golfinhos não respiram de forma automática como os humanos, ou seja, cada respiração do golfinho é um ato consciente, então golfinhos podem parar de respirar propositalmente, e basicamente, foi isso que aconteceu com Peter, ele cometeu suicídio após parar de respirar de propósito porque a vida dele estava se tornando insuportável.

Margaret explica na matéria do The Guardian que não ficou terrivelmente infeliz com a notícia, mas sim pelas condições que Peter estava no laboratório, já John Lilly é dito que nas décadas seguintes, ele continuou estudando a comunicação entre golfinhos e humanos com outras maneiras de tentar falar com eles, algumas pareciam formas místicas como telepatia, mas também tentou com tons musicais, porém, não ensinaram golfinhos a falar inglês novamente, em vez disso, a pesquisa tomou outro rumo, dessa vez, tentar entender melhor as próprias línguas das outras espécies.

Já Margaret continuou morando na ilha, se casou com um fotógrafo que tirou foto dos experimentos, se mudando novamente para a Dolphin House, onde os golfinhos eram mantidos enquanto aprendiam inglês, transformando em uma casa de família e criando três filhas, depois de um tempo, a casa caiu em desuso, porém, o que aconteceu ali dentro ainda é lembrado, pois Margaret afirma que recebe cartas de pessoas que trabalham com golfinhos falando que eram crianças quando leram sobre ela e isso as motivou a trabalhar com isso depois de adultas...medo.

Eu devo dizer que ler sobre todo o experimento me deixou entristecida, eu acredito que pesquisas devem ser feitas para existir evoluções em medicamentos, tratamentos e até na vida humana, mas ensinar um golfinho a falar inglês não agrega em nada na humanidade e fazendo dessa forma tenebrosa causa arrepio na espinha, fico chocada com o ponto onde vai a mente humana e a falta de noção também... 

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