Culto religioso disfarçado de evento de anime?
O dia em que uma ilustradora se arrependeu de ter ido em um evento.
Que a igreja evangélica tenta de todas as formas adaptar festas que eles consideram mundanas para se encaixar nos padrões deles não é novidade para ninguém, mas e se eu te contasse que tentaram fazer isso com eventos de anime, isso te chocaria?
Esse caso aconteceu em 2022, uma pessoa que trabalha com ilustrações chamada Lírio de Queiroz, presente nas redes como “eulirio_”, contou sobre a sua experiência em um evento de anime, estava participando do Artist Alley do evento como convidada, que é uma parte dedicada a ilustradores onde eles mostram seus trabalhos artísticos e as pessoas podem comprar seus desenhos e produtos variados.
Segundo a ilustradora no vídeo publicado na sua conta do TikTok, relata que o evento estava marcado para duas horas da tarde, então ela chegou por volta do meio-dia para arrumar as coisas, o evento só começou as três horas da tarde, ele estava muito vazio e ela acreditava que tivesse sido por ter tido uma péssima divulgação, ela acrescenta que sua amiga apenas ficou sabendo do evento porque Lírio avisou a ela, mas apesar disso, ela fala que estava se divertindo muito, até que três de suas artes foram censuradas porque, segundo os organizadores do evento, essas artes eram um desrespeito a igreja, além disso, o cosplay da amiga da ilustradora também foi censurado, os organizadores do evento falaram para a moça mudar o cosplay porque era muito curto, e segundo eles: “Os homens estavam olhando”.
Mas a coisa piorou mesmo porque, segundo ela, um homem subiu no palco do evento e começou a fazer um culto no meio do palco principal, a ilustradora relata que ninguém sabia onde enfiar a cara porque em nenhum momento foi falado para eles que seria um evento da igreja, e na pouca divulgação que tinha, em nenhum momento havia sido deixado claro que se tratava de um evento religioso, o homem simplesmente mandou todos os presentes no evento ficarem em silêncio e começou um culto.
A ilustradora aproveitou e de forma irônica deu os parabéns aos envolvidos que estavam usando evento de anime para tentar evangelizar os jovens de forma compulsória, em seguida, falando algo que é muito verdade: Isso apenas está afastando os jovens da igreja e não os trazendo para perto.
E não foi apenas isso, em outro vídeo na sua conta onde responde um comentário em que a pessoa pergunta se tem mais alguma coisa, ela contou que a parte que contaria não havia sido gravada porque estava trabalhando no estande no momento do ocorrido, mas que, naquele momento, ela já deveria ter percebido que algo estava errado no evento, pois antes da censura das artes e antes do culto evangélico no palco principal do evento, a ilustradora relata que um homem fardado subiu no palco, anunciado como uma palestra sobre uma história em quadrinhos brasileira para incentivar os quadrinistas nacionais, e nisso, começaram a transmitir o trailer de uma história em quadrinhos com cenas de Exército, plantas de aviões, barulhos de tiros, entre outras coisas, e no final do trailer, era dito algo como “proteger a soberania do Estado brasileiro”.
A ilustradora relata que o homem começou a falar sobre Exército, Marinha, Aeronáutica, sobre filmes que ele gostava nos anos 80 que ninguém aparentava conhecer, e que esse mesmo homem começou a fazer um jogo de perguntas e respostas, o prêmio seria o livro dele sendo dado como brinde, porém, o homem fez perguntas muito específicas sobre o Exército, Marinha e, inclusive, de qual esquadrão o Justiceiro era no Exército Americano, isso fez todas as pessoas presentes no evento se manterem em silêncio.
Ela relata que pela falta de resposta, o homem no palco começou a ficar nervoso, tentando motivar as pessoas, falando que a pergunta era fácil, mas as pessoas presentes continuavam em silêncio. A situação começou a ficar ainda mais constrangedora, pois ninguém sabia do que ele estava falando, afinal, aquilo era um evento de anime, isso se estendeu até que uma pessoa na plateia pesquisou na internet, respondeu uma das perguntas dele corretamente e ganhou o livro, mas Lírio fala que foi muito tenso ver o homem andando de um lado para o outro no palco falando sobre o Exército e ninguém se importando.
Eu não me incomodaria tanto se a igreja quisesse fazer um evento de anime próprio, mas eles deveriam ser claros quanto a ser um evento religioso, é um absurdo você convidar uma pessoa e censurar as artes dela sendo que você, como evento convidou a pessoa, além disso, ninguém é obrigado a ouvir culto onde não quer, pelo menos, avise que terá culto ao invés de enganar as pessoas, pois como foi dito, isso mais afasta as pessoas da igreja do que aproxima elas.
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