Jogadores VS Ubisoft: A Treta de The Crew

 Um processo judicial está rolando contra a Ubisoft por causa de The Crew, e isso está trazendo um debate importante no mundo gamer!

Imagem de cinco carros coloridos em cima de um mapa e o logo do jogo The Crew na frente deles. Fonte: https://store.epicgames.com/pt/p/the-crew

Todo o jogador de carteirinha sabe que os preços dos jogos estão ficando cada vez mais absurdos nas plataformas, e as vezes, mesmo com algum festival de descontos, o jogo segue custando uma fortuna, mas se eu falar para vocês que mesmo você comprando na plataforma, o jogo não se torna seu? Isso está causando um debate muito importante, que começou graças ao The Crew.

The Crew é uma série de jogos de corrida desenvolvido pela empresa Ubisoft, era um jogo de mundo aberto e foi lançado em Dezembro de 2014 para computador, Xbox One e PlayStation 4, ele foi um sucesso na época, o que fez a empresa investir no The Crew 2 lançado em 2018. O primeiro jogo da franquia tinha um Modo História muito interessante e poderia disputar corridas online com outras pessoas que também tivessem o jogo através de servidores.

Ubisoft é uma desenvolvedora francesa de jogos que foi fundada em 1986, ela é conhecida pelas franquias Far CryAssassin’s CreedJust Dance e atualmente, lançou Star Wars Outlaws.

Infelizmente, no dia 1º de Abril de 2024, os servidores do jogo The Crew saíram do ar e os jogadores não puderam mais acessar o jogo, e muito menos, jogar, já que o The Crew era um jogo que precisava de conexões com a internet para apreciar, isso, inclusive, era uma grande incomodação dos jogadores porque até mesmo para acessar o Modo História, você era obrigado a ter acesso a internet, então acabar com os servidores do game seria o mesmo que acabar de vez com o jogo.

Mas a treta não acaba por aí, muitos jogadores relataram que a Ubisoft havia revogado a licença do jogo e retirou da conta de todos os jogadores, o que fez eles ficarem revoltados porque consideraram roubo, eles pagaram pelo jogo e a empresa retirou das contas sem dar qualquer aviso prévio que ele seria apagado, eles tentaram acessar o jogo novamente, mas apenas recebiam uma mensagem falando que não era mais possível acessá-lo.

“Quando a Ubisoft anunciou que os servidores seriam colocados offline, ofereceu reembolsos para aqueles que compraram recentemente o The Crew. O jogo já existe há uma década, então esse reembolso provavelmente não se aplica à grande maioria dos jogadores. Algumas dessas pessoas disseram que planejavam configurar servidores privados para jogar o jogo, uma opção que agora é impossível.”

— Engadget

Esse ocorrido trouxe muitas discussões para o mundo gamer: então nós não compramos jogos?

Alguns jogadores trouxeram a tona uma entrevista que um executivo sênior da Ubisoft havia dado para o Games Industry, na época, eles estavam divulgando um serviço de jogos por assinatura da Ubisoft chamado de Ubisoft+, na entrevista, ele afirma que os consumidores estavam acostumados com os CDs e DVDs a possuir jogos e que essa era a mudança que precisava acontecer nos consumidores, eles tinham que se acostumar a não possuírem mais jogos.

”Uma das coisas que vimos é que os jogadores estão acostumados, um pouco como o DVD, a ter e possuir seus jogos. Essa é a mudança do consumidor que precisa acontecer. Eles se sentiram confortáveis em não possuir sua coleção de CDs ou DVDs. Essa é uma transformação que tem sido um pouco mais lenta para acontecer [nos jogos]. À medida que os jogadores se sentem confortáveis nesse aspecto… você não perde seu progresso. Se você retomar o jogo em outro momento, seu arquivo de progresso ainda estará lá. Isso não foi excluído. Você não perde o que construiu no jogo ou seu envolvimento com o jogo. Portanto, trata-se de se sentir confortável em não possuir seu jogo.”

— Philippe Tremblay

O IGN Brasil também afirma que nos termos de uso, a Ubisoft já havia escrito que os serviços e conteúdos são licenciados e não vendidos aos jogadores, isso significava que eles apenas cediam uma licença e um direito pessoal limitado, que não poderia ser revogado ou transferível.

“1.3: Os Serviços e Conteúdos são licenciados, e não vendidos, ao utilizador. Tal significa que concedemos ao utilizador uma licença e um direito pessoal, limitado, não transferível e revogável de utilização dos Serviços e de acesso aos Conteúdos, para entretenimento e utilização não comercial, sujeito ao cumprimento dos presentes Termos por parte do utilizador.”

— Termos de uso da Ubisoft

Esse debate começou a surgir: se os jogos não necessariamente são nossos e a empresa pode retirar quando quiser, então pirataria não deveria ser considerado roubo. Porque a empresa tem o direito de retirar o jogo de nós quando quiser? Isso já não seria um roubo? Os jogadores compraram com seu suado dinheiro para ter o jogo, porque a empresa pode retirar quando quiser? Esse debate se estendeu pelas redes sociais e o fato de pagarmos caro por uma licença de uso deixou todos os jogadores enfurecidos, afinal, atualmente, tem jogos chegando quase na faixa dos R$ 500 reais.

Acontece que uma reviravolta aconteceu e uma lei da Califórnia está fazendo as plataformas serem obrigadas a esclarecerem melhor essa situação. O governador Gavin Newson sancionou uma lei que forçará a empresa a ser mais transparente de que está vendendo uma licença de uso ao invés do jogo em si.

A lei se chama AB 2426 e ela proíbe as plataformas online de jogos de usar as palavras comprar, adquirir ou outro termo que possa dar a entender que aquele jogo seria sua propriedade quando ela não é, isso seria aplicado em lojas que não falam em linguagem simples que você está apenas comprando a licença de um conteúdo digital, baixando permanentemente ou que a licença vai terminar a qualquer momento, e quem violar essa lei, será multada por propaganda enganosa, ou seja, publicidade falsa.

“Este projeto de lei, sujeito a exceções especificadas, proibiria adicionalmente um vendedor de um bem digital de anunciar ou oferecer para venda um bem digital, conforme definido, a um comprador com os termos comprar, adquirir ou qualquer outro termo que uma pessoa razoável entenderia como conferindo um interesse de propriedade irrestrito no bem digital, ou juntamente com uma opção de aluguel por tempo limitado, A menos que o vendedor receba no momento de cada transação um reconhecimento afirmativo do comprador, ou o vendedor forneça ao consumidor antes de executar cada transação uma declaração clara e visível, conforme especificado. Ao expandir o escopo de um crime, esse projeto de lei imporia um programa local exigido pelo estado.”

— Digital Democracy

A primeira plataforma que começou a entrar nos eixos antes da lei entrar em vigor em 2025 foi a Steam, ela incluiu um aviso no carrinho de compras informando que o cliente está comprando uma licença de uso do jogo, dando a entender que essa licença pode ser retirada de você mais futuramente.

“A compra de um produto digital concede uma licença para o produto no Steam”

— Steam

Acontece que os jogadores ainda estão enfurecidos, e com razão, por causa de The Crew, por isso, eles estão processando a Ubisoft pelo encerramento do jogo. Dois jogadores da Califórnia iniciaram o processo coletivo no dia 4 de novembro alegando que a Ubisoft teria enganado os jogadores quando decidiu retirar o jogo que foi comprado por eles.

O processo também alega que a Ubisoft não foi capaz de manter o jogo no ar como modo offline como eles fizeram com outros jogos da empresa, dando exemplo do Assassin’s Creed 2 e 3 que tiveram modo offline adicionado para se manterem no ar.

“O documento alega que os consumidores foram enganados de duas maneiras. A primeira é todos pensaram inicialmente que estavam adquirindo um produto, e não apenas licenciando-o; e a segunda é que a empresa “declarou falsamente” que os arquivos das mídias físicas eram de acesso livre, e não um código para o jogo.”

— Jovem Nerd

A Ubisoft não quis comentar o ocorrido publicamente, mas os jogadores esperam que o processo seja aprovado pelo tribunal e que estão contando com mais jogadores de The Crew para entrarem no processo, assim, se tornaria algo coletivo.

É um absurdo que pagamos um valor exorbitante para apenas uma licença de uso do jogo, a empresa pode retirar o jogo das nossas contas quando quiser, o jogador que se dane! Isso acaba afastando mais ainda as pessoas de jogarem, pelo menos, de jogarem legalmente. Infelizmente, as plataformas, que eram para ser uma forma mais acessível de conseguirmos entretenimento por um preço mais em conta, acabou se tornando inacessível, e a pirataria, que antes estava quase extinta, volta com toda a força, graças as plataformas e as empresas.



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