Mortal Kombat processado por caso de polícia

 O dia em que Mortal Kombat levou um processo pela morte de uma criança.

Símbolo do Mortal Kombat com um dragão preto no meio de um círculo em chamas vermelho, laranja e amarelo escrito Mortal Kombat em laranja. Fonte: https://mortalkombat.fandom.com/pt/wiki/Mortal_Kombat_(Franquia)

Muitos de vocês conhecem a franquia de jogos Mortal Kombat, certo? A franquia existe desde 1992 para arcade e até hoje, tem títulos sendo lançados, a NetherRealm Studios é quem desenvolve os jogos atualmente e a sua produção é de responsabilidade da Warner desde 2011.

Antigamente, quem era responsável por Mortal Kombat era uma empresa chamada Midway Games, fundada em 1958 em Illinois, nos Estados Unidos, ela não era conhecida apenas pelo Mortal Kombat, mas também por títulos como Jackie Chan Stuntmaster e foi fechada em 2011 após declarar falência.

Mas vocês sabiam que a Midway se envolveu em um processo judicial por assassinato por causa de Mortal Kombat?

Em novembro de 1997, um menino de treze anos chamado Noah Wilson foi assassinado pelo seu amigo que foi identificado como Yancy S, segundo o site Justia US Law. Andrea Wilson, mãe de Noah, entrou com um processo contra a Midway porque, segundo ela, Yancy era viciado no jogo Mortal Kombat e realmente acreditava que era o personagem Cyrax.

A mãe da vítima alegou que a Midway devia uma indenização a ela afirmando que o design e o marketing de Mortal Kombat causaram a morte do filho dela, justificando responsabilidade pelo produto, práticas comerciais desleais, perda de consórcio e imposição negligente e intencional de sofrimento emocional.

A Midway rejeitou a reclamação falando na primeira moção que o Mortal Kombat não seria um produto que dá uma origem a uma reclamação de responsabilidade do produto, também alegou que uma reivindicação de perda de consórcio não seria mantida por um pai baseado na morte do filho e que ela não pode se recuperar por sofrimento emocional negligente ou intencional porque a empresa não teria esse dever com ela ou com o Noah, além que o design e o marketing do jogo não foram as causas legais.

Depois disso, a Midway apresentou a segunda moção indeferindo as enfermidades constitucionais na reclamação de Andrea Wilson, a empresa alegou que tanto a constituição de Connecticut quanto a constituição dos Estados Unidos proíbem ação para recuperar danos do fabricante de um jogo como Mortal Kombat, quando a base é o conteúdo do jogo.

“Pelas razões expostas abaixo, o Tribunal conclui que a reclamação de Wilson, embora habilmente redigida e habilmente defendida na argumentação oral e no briefing, não declara uma reivindicação sobre a qual o alívio possa ser concedido: as contagens de responsabilidade do produto falham porque Mortal Kombat não é um “produto” dentro da alçada da CPLA; a alegação de práticas comerciais desleais está prescrita; a perda da reivindicação de consórcio não é reconhecida pela lei de Connecticut neste contexto; e a imposição negligente e intencional de alegações de sofrimento emocional são impedidas pela Primeira Emenda. Assim, o Tribunal concede as moções da Midway e as reivindicações de Wilson são rejeitadas em sua totalidade.”

— Justia Law

Andrea Wilson havia reclamado que Mortal Kombat era um videogame de realidade virtual que usava tecnologia de ponta para fazer com que seus jogadores se sentissem dentro do jogo de forma física matando os personagens presentes na obra e que ele recompensava os jogadores quando eles tocavam em suas “respostas assassinas”, ela também alegou que Mortal Kombat foi programado com tecnologia futurista que fazia o jogador acreditar fielmente que estava participando de lutas violentas e ainda descreveu todos os avanços tecnológicos que ocorreram no meio dos videogames em trinta anos, dizendo que os jogos passaram de uma bola que batia de um lado para o outro na tela para jogos de realidade virtual onde o jogador teria um papel ativo dentro da obra.

Como se não bastasse, ela também descreveu que o jogo tinha sete personagens que tinham estilos de luta diferentes e únicos, isso incluía um método de matar o rival e movimentos finais, que provavelmente estaria se referindo ao Fatality, ela afirmou que os personagens avançavam pelos níveis do jogo usando cada vez mais níveis de violência extrema, como se o jogo apresentasse a violência como um jeito mais viável de resolver os problemas, ela ainda deixou claro que Mortal Kombat era diferente de filmes e música pois o jogo era interativo e permitia que o usuário controlasse ou assumisse a identidade do personagem escolhido por ele.

A mãe da vítima também alegou que Yancy S havia usado a mesma manobra de Cyrax para matar seu filho, pois no jogo, o personagem agarra seu oponente pelo pescoço em uma chave de braço e esfaqueia no peito, e Yancy havia feito a mesma coisa com Noah, ela reforçou que Yancy era viciado em Mortal Kombat e acusou a Midway de projetar Mortal Kombat para viciar as pessoas em se sentirem felizes enquanto agrediam alguém e que a intenção era chamar o público jovem para viciá-los nisso.

Acontece que os tribunais rejeitaram as queixas de Andrea Wilson alegando que ela não tinha provas de que Mortal Kombat teria sido o motivo de Yancy ter assassinado seu filho, em um momento ela chegou a alegar práticas comerciais desleais, mas isso foi prescrito pela corte, inclusive, se vocês quiserem ler mais sobre a sentença além da Justia US Law, você encontra esse documento no site da Corte dos Estados Unidos no Distrito de Connecticut que foi onde se iniciou o processo em 2002.

O tribunal também alegou que Mortal Kombat não era um produto que entrava dentro da Lei de Responsabilidade dos Produtos de Connecticut e a imposição dela foi declarada como negligente e intencional de reivindicações de sofrimento emocional, isso foi também impedido pela Primeira Emenda.

Essa não seria a primeira vez que videogames são responsabilizados pela morte de alguém, isso acontece até mesmo fora dos tribunais, no Brasil, tivemos um caso de um menino que matou a família seguido de um suicídio onde a imprensa reforçou várias vezes que ele jogava Assassin’s Creed, como se o jogo fosse uma justificativa, mas a verdade é que jogos não influenciam ninguém a fazer esse tipo de coisa, afinal, temos muitas pessoas na sociedade que não tiveram acesso a jogos e que cometem muitos crimes, além que não é porque a pessoa joga The Sims por exemplo, que ela vai ser uma pessoa que não poderá cometer crimes no futuro, entendem?

Mas o que você acha? A Midway deveria ter sido responsabilizada pelo ocorrido?



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