O dia em que uma cosplayer foi desrespeitada pelo Pânico.

 A cosplayer vestida de Estelar recebeu uma lambida de um dos repórteres do Pânico e isso levou ao banimento deles na CCXP.

Imagem de uma moça vestida de Estelar com a pele bronzeada, cabelos vermelhos e roupa roxa com detalhes em dourado está sendo lambida por um homem com microfone na mão, usando roupa com suspensórios e óculos de grau ao lado de uma mulher loira com óculos de grau e roupa com suspensórios. Fonte: https://www.tecmundo.com.br/comic-con-experience-2015/91423-panico-band-causa-na-ccxp-2015-banida-indefinidamente-evento.htm

Comic Con Experience, conhecida como CCXP, é um evento de cultura pop muito conhecido e todas as pessoas amantes dessas mídias tem vontade de estar lá, principalmente os cosplayers, já que o local reúne muitos outros cosplayers de mídias variadas, mas e se alguém da imprensa estragasse esse momento para você? Foi o que aconteceu com uma cosplayer de Estelar.

O Pânico na TV era um programa muito conhecido nas madrugadas, ele começou sendo produzido na RedeTV com esse nome, mas depois foi para a Band com o título de Pânico na Band, o programa tinha o objetivo de fazer zoações com as pessoas, que hoje percebemos que eram pesadas. Até hoje, muitas pessoas que trabalhavam lá, inclusive as famosas panicats, que eram mulheres bonitas que eram mostradas no programa quase nuas, até hoje reclamam de como o local era um ambiente tóxico em todos os sentidos.

Acontece que em 2015, uma coisa bizarra é feita dentro da Comic Con, dois apresentadores do, na época, Pânico na Band, foram fantasiados do estereótipo de nerd e começaram a abordar os visitantes do evento, eles faziam algumas abordagens que poderiam ser facilmente classificadas como um assédio moral, tirando sarro das roupas das pessoas e invadindo o espaço pessoal delas, por mais que eles sempre fizessem isso, naquela matéria, eles baixaram o nível ao fundo do poço e constrangeram, não apenas os participantes, como também, os telespectadores.

Em um dos momentos da matéria sobre a CCXP, os repórteres abordaram uma mãe e uma filha, ambas cosplayers, a filha era a cosplayer Myo Tsubasa e estava com o cosplay de Estelar da animação Jovens Titãs. No primeiro momento, um dos jornalistas do Pânico começou a fazer piadas sexuais sobre a mãe da menina, em seguida, ele fez uma piada machista, elas ficaram muito desconfortáveis e Myo pediu para que eles não tocassem muito nela porque sua pele estava pintada com tinta laranja, provavelmente, para evitar que manchasse eles e ela própria, nesse momento, o mesmo jornalista que fez as piadas machistas e sexuais, lambeu o ombro de Myo, isso fez a moça ficar indignada com razão e se retirar.

“A matéria continua com os repórteres ridicularizando e atormentando participantes e outros cosplayers durante a CCXP 2015, enquanto outros dois apresentadores tinham a missão de incomodar os atores que chegavam no aeroporto para participar do evento, entre eles Jorge Garcia, Terry Crews, Adam Sandler e Frank Miller, a quem creditam — em um erro grotesco — a criação de personagens como Batman e Wolverine.”

— Tecmundo

Por conta disso, muitas pessoas nas redes sociais mostraram seu descontentamento, deixando claro a falta de respeito do programa com a cosplayer, a matéria havia sido muito escrota, as pessoas pediram o banimento do programa no evento e falaram que os caras eram sem noção, não demorou muito para a organização do evento emitir uma nota nas redes sociais.

“Na CCXP — Comic Con Experience, todas as pessoas são bem-vindas e incentivadas, sem preconceitos, a ser quem são — ou quem desejam ser. É um ambiente harmonioso que defendemos, um lugar onde cosplayers, nerds, gamers, cinéfilos, leitores de quadrinhos e simples curiosos convivem com respeito. Numa convenção de cultura pop, o contrato social que sonhamos para nós — em que toda diferença é aceita e celebrada — torna-se realidade.

É com tristeza e um sentimento de desgosto, então, que assistimos à maneira como o programa Pânico na Band, incapaz de lidar com o diferente, traz para dentro da CCXP seus preconceitos de gênero e seu franco desrespeito, entrevistando cosplayers com grosseria — chegando a lamber uma visitante. Depois desse incidente lamentável o Pânico na Band foi banido da CCXP 2015 e de todas as atividades organizadas a partir de hoje.

Não se trata aqui de discutir limites de humor. A cobertura do Pânico na Band da CCXP 2014, inclusive, foi muito bem-humorada e eles foram credenciados para a nova edição dentro desse espírito. No entanto, assédios moral e sexual são temas seríssimos e preocupações constantes em convenções de cultura pop no mundo inteiro — assim como fora delas. As atitudes do Pânico na Band dentro da CCXP representam um retrocesso que não podemos aceitar. Ninguém pode, não mais.

O senso de humor é um componente fundamental do cosplay. Nesta segunda-feira a web ainda se diverte com as imagens dos trajes mais inventivos que passaram pelos quatro dias da convenção, do meme de Pulp Fiction às crianças vestidas de Coringa. Mas o cosplay também é uma forma de expressão que ajuda muita gente a fantasiar, com segurança, com aquilo que deseja para si. Pessoas aderem ao cosplay para se tornarem mais fortes, usando a interpretação e a confecção de seus trajes para lutar contra quadros de depressão, para manifestar sua sexualidade, para trabalhar sua auto-estima, como um super-herói.

A organização da CCXP repudia com indignação a postura inaceitável do Pânico na Band porque ela desmancha esse encanto do qual depende qualquer convenção de cultura pop. Mas os cosplayers, os nerds, os gamers, os cinéfilos e os leitores de quadrinhos são maiores, mais unidos e mais fortes. E um dia o contrato social de tolerância que estabelecemos dentro dessas convenções vai se espalhar porta afora, como um coro.

The Fellowship of the Comic Con Experience, 7 de dezembro de 2015.”

— CCXP

Após o banimento no evento, as pessoas foram além e fizeram um abaixo-assinado no site Avaaz, a reivindicação era direcionada a TV Bandeirantes pedindo que a emissora retirasse o programa do ar imediatamente e pediram mais de 2 mil assinaturas antes de enviar o documento para a emissora, a causa conseguiu em dois dias, o apoio de 1,2 mil, a URL se espalhou rapidamente no Twitter e no Facebook.

Enquanto isso acontecia, o Pânico continuava fazendo piadas da situação, no programa seguinte, eles começaram a tirar sarro dos cosplayers usando o ocorrido para tentar ganhar pontos de audiência, fizeram um julgamento do repórter que desrespeitou Myo colocando membros vestidos como integrantes da Liga da Justiça e colocou uma das Panicats com o cosplay de Estelar tirando sarro da situação, isso não gerou punição e nem um pedido de desculpas.

Alguns dias antes, o jornalista foi no Twitter pedir desculpas pelo ocorrido, mas a verdade é que ele estava apenas tentando justificar que todos brincaram de volta, ao invés de ter se arrependido de fato pela merda que havia feito.

Na época, Myo foi a público falar sobre o ocorrido, ela afirmou que estava passando mal de calor, e do nada, um homem e uma mulher vestidos de forma ridícula puxaram ela e a mãe dela grosseiramente, sem perguntar se elas queriam ou não dar uma entrevista, eles puxaram elas na frente da câmera com uma luz muito intensa direcionada ao rosto delas, eles pediram para ela dar uma giradinha para a câmera e ela afirma que ouviu um comentário de alguém do Pânico falando que a pintura corporal de Myo parecia os bronzeados das Panicats quando davam errado, ela tentou relevar, até que o jornalista passa o dedo para tirar a tinta da pele dela e em seguida, lambe o ombro da moça, Myo relata que não tinha palavras para descrever o ódio e o nojo que ela sentiu.

A falta de respeito com quem faz cosplay é algo que há anos as pessoas vem lutando para acabar, pois muitas vezes, o cosplayer é chamado de fracassado, criança, entre outras coisas, mas ser cosplay é um hobby, todos ali trabalham fora e o evento é uma forma de escape da realidade tão dolorosa que muitos vivem, e falo isso por experiência própria. Não apenas isso, mas muitas pessoas trabalham com cosplay em animações de festa infantil, em conteúdos para a internet e até mesmo para divulgações de eventos, alguns aparecem até em inaugurações de lojas geeks e de eletrônicos, então precisa ser respeitado.

Além disso, o Pânico, independente da emissora que fazia parte, era muito desrespeitoso e até fiquei feliz que as pessoas começaram a perceber os absurdos que ocorriam no programa, pois vários quadros eram extremamente desrespeitosos e qualquer pessoa que apontasse isso era taxado de careta e sem noção, mas a verdade é que brincadeira tem limite e a partir do momento que você falta o respeito com uma pessoa, a brincadeira deixou de ser uma brincadeira.



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