Se você tem Disney+, esqueça de processar a Disney!

 Uma pessoa morreu por causa de uma alergia nos parques da Disney e o viúvo foi impedido de processar por causa dos termos de uso do Disney+.

Imagem do castelo da Disney na frente de um lago em um céu arroxeado. Fonte: https://www.disneyplus.com/pt-br/browse/page-4c4b78ed-4a17-43eb-8221-14a3959e4517

Os parques da Disney são conhecidos pelo mundo inteiro e muitas pessoas tem o sonho de conhecer o local, fora os influenciadores que já noivaram no parque e postaram nas redes sociais, criando esse sonho em quem os acompanha, mas nem todas as pessoas tem boas experiências por lá e foi o que aconteceu com esse rapaz que falaremos hoje.

O casal “Amy” e Jeffrey estavam visitando o complexo de entretenimento Disney Springs que faz parte do Walt Disney World Resort na Flórida, nos Estados Unidos. Um dia, eles decidiram jantar no restaurante Raglan Road Irish Pub e mesmo após avisar diversas vezes sobre as suas alergias para a equipe do estabelecimento, que garantiu que as comidas podiam ser feitas sem os ingredientes que causavam alergia, Amy teve uma reação alérgica a comida do restaurante, isso causou um choque anafilático que levou a moça a óbito.

Por causa da irresponsabilidade da equipe do restaurante, que foi alertada várias vezes sobre a alergia de Amy, Jeffrey decidiu processar a Disney no valor de US$ 50 mil, que daria cerca de R$ 273 mil, mas, infelizmente, a Disney tentou se esquivar do processo.

O argumento usado pela Disney foi de que Jeffrey havia assinado o teste gratuito do Disney+ em 2019 no PlayStation dele, e nos Termos de Uso da plataforma de streaming havia uma cláusula que concordaria em não levar eventuais processos contra a Disney para os tribunais, como Jeffrey havia optado por aceitar os termos de uso, então isso significava que qualquer questão entre a empresa e os usuários da Disney deveriam ser resolvidas em comum acordo entre as partes. Sim, esse absurdo mesmo que você leu.

“Segundo os advogados de Piccolo, o argumento seria “absurdo” e “escandalosamente irracional”. Os ingressos que o casal teria comprado para visitar o parque Epcot, no aplicativo My Disney Experience, também corroboram a refutação da defesa. Para a companhia, ambos termos de uso — assinados antes das compras, para poder acessar os aplicativos — representariam o consentimento do viúvo de abrir mão de disputas judiciais.”

— GZH

Em agosto, a equipe de advogados de Jeffrey se pronunciou contra o recurso da Disney, alegando que usar os termos de uso aceitos pelo consumidor ao criar uma conta para teste grátis do Disney+ para anular para sempre o direito daquele consumidor a um tribunal contra qualquer filiado ou subsidiário da Disney era tão absurda e tão injusta que chocava a consciência judicial e que aquela corte não deveria cumpri-la.

Aparentemente, a Amy tinha alergia a laticínios e nozes, ela relatou várias vezes a equipe do restaurante sobre as suas alergias a cada prato que traziam a ela, e Jeffrey afirma que a equipe não tomou cuidado com isso, a morte dela ocorreu mais tarde naquele mesmo dia e o legista confirmou que ela faleceu por causa de uma anafilaxia causada pelos níveis altos de laticínios e nozes em seu organismo.

“Eles também argumentam que Piccolo concordou com os termos de uso da Disney para si mesmo, enquanto agora ele está agindo em nome de sua falecida esposa, que nunca concordou com os termos.”

— BBC

Jeffrey quer que o caso seja julgado por um júri em um tribunal, alguns advogados falaram que a Disney pode querer se beneficiar da privacidade e confidencialidade da arbitragem, em vez de ter um processo de homicídio culposo sendo ouvido em público associada a publicidade, no caso, arbitragem seria o fato da Disney querer que o processo nos tribunais seja interrompido e que seja resolvida fora do tribunal.

“Os advogados da companhia também alegam que, como Piccolo usou o site do Walt Disney Parks para comprar ingressos para o Epcot Center, a Disney está protegida de um processo do espólio da falecida esposa de Piccolo, Kanokporn Tangsuan, que morreu de uma reação a alergias alimentares graves.”

— CNN

O advogado de Jeffrey alega que o Walt Disney Parks and Resorts estaria tentando impedir que 150 milhões de assinantes do Disney+ processem um caso de homicídio culposo na frente de um júri, mesmo que todo o ocorrido não tenha a ver com o Disney+.

É um absurdo que um estabelecimento seja irresponsável e a empresa que cuida do local decida interromper um processo sobre essa irresponsabilidade por causa dos termos de uso da plataforma de streaming que não tem nada a ver com o assunto, se isso for aceito pela corte, vai mostrar como a justiça é porca no mundo todo.



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