Ubisoft e seu uso controverso de um símbolo de resistência!

 Em 2020, a Ubisoft usou o símbolo do Black Lives Matter para representar os vilões do novo jogo e tomou chapisco com razão!

Imagem da capa do jogo Tom Clancy's Elite Squad com três personagens em frente a fagulhas de chamas, um deles é uma moça usando boina e com o rosto pintado como uma caveira, o segundo é um cara usando um óculos de três lentes verdes e o terceiro um cara careca com tatuagem em formato de cruz no rosto com detalhes que se estendem de sua cabeça até o pescoço e peito. Fonte: www.ign.com/games/tom-clancys-elite-squad

Que a Ubisoft tem algumas polêmicas não é novidade, mas uma das piores delas foi com Tom Clancy’s Elite Squad, um jogo de RPG mobile que foi lançado em 2020 para Android e iOS. A treta toda começou porque a desenvolvedora fez um vídeo de abertura mostrando um cenário de caos que era marcado por muitos protestos, a maioria deles eram impulsionados por um grupo chamado UMBRA, uma organização que era definida no jogo como um grupo terrorista global que queria construir uma nova ordem mundial, só que o símbolo do grupo era o punho levantado, e na vida real, esse é o mesmo símbolo usado pelo movimento antirracista Black Lives Matter.

Para quem não conhece sobre esse movimento, Black Lives Matter, conhecido como BLM, é um movimento ativista internacional antirracista, com origem na comunidade afro-americana desde 2013, mas se tornou mais conhecido em 2020 após a morte de George Floyd, um afro-americano que foi assassinado por um dos policiais brancos chamado Derek, ele ajoelhou no pescoço de George durante a sua abordagem, o estrangulando até a morte.

Acontece que essa merda que a Ubisoft fez repercutiu negativamente e com razão, as pessoas comentaram nas redes sociais que o jogo era claramente sobre comandar uma força militar e matar integrantes do movimento igualitário que luta por mudanças, como o BLM, a pessoa também pedia para os usuários boicotarem o jogo.

Por causa disso, a Ubisoft se manifestou na época falando nas redes assumindo que usar a imagem do punho erguido na introdução do jogo era insensato e prejudicial na forma que foi retratado, eles falaram que ouviram os jogadores e que agradeciam para a comunidade em geral que apontaram isso, em seguida, se desculpando, eles também informaram na época que retirariam o símbolo na atualização seguinte, que ocorreria no dia 1º de Setembro daquele ano.

“Poucas semanas atrás, a desenvolvedora havia se envolvido em uma outra polêmica relacionada ao comportamento machista de executivos do alto escalão. Segundo relatos de ex-funcionários, personagens femininas de alguns jogos tiveram sua participação reduzida sob o argumento de que “mulheres não vendem”.”

— Adrenaline

No vídeo, a UMBRA era definida como uma organização sem rosto que quer construir uma nova ordem mundial, alegando promover uma utopia igualitária para ganhar apoio popular, enquanto por trás das cenas, organiza ataques terroristas letais para gerar ainda mais caos e enfraquecer governos as custas de muitas vidas inocentes…

Mas pelo visto, não foram só os jogadores que meteram a boca no trombone sobre isso, um dos roteiristas do jogo criticou a Ubisoft abertamente no seu Twitter falando que estava com raiva do uso do punho erguido do BLM naquele vídeo, ele havia trabalhado na BIOS dos personagens e foi informado que a UMBRA era para ser vilões estilo James Bond, não algo que parecia com o que as pessoas que acreditavam em conspiração Q acham que está acontecendo, ainda chamou a atitude da Ubisoft de ótica ruim e irresponsável.

O jornalista da Bloomberg também meteu o dedo na ferida e falou no seu Twitter que o diretor do jogo e o gerente do estúdio por trás dele, era o filho do CEO da Ubisoft, esse cara teria se formado na universidade em 2014 e se tornou gerente de estúdio no mesmo ano, ele também relatou que durante o final de semana, muitos funcionários furiosos postaram mensagens zangadas sobre o vídeo no fórum interno da empresa, inclusive, havia uma mensagem com dezenas de likes que a pessoa começou falando que estava exausta com tudo relacionado a Ubisoft.

Na época, o CEO da Ubisoft fez um vídeo com um pronunciamento, ele comentou sobre as acusações de assédio que rolaram dentro da empresa e pediu desculpas por ter usado as imagens referentes ao Black Lives Matter dentro do jogo, ele garantiu que tomaria providências significativas para remover ou sancionar aqueles que violaram os valores e os códigos de conduta da empresa.

“O CEO afirma que estão trabalhando para melhorar os sistemas e processos, acrescentando que estão focados em melhorar a diversidade e inclusão dentro da desenvolvedora. Os planos envolvem um investimento de US$ 1 milhão no Graduate Program, para dar mais oportunidades a minorias como mulheres e não-brancos.”

— Jovem Nerd

Ele também falou que a empresa condena qualquer um que use os seus jogos como um meio para disseminar ódio e toxicidade, ainda relatou que eles apoiavam totalmente o Black Lives Matter e fizeram uma doação ao NAACP Legal Defense Fund em nome da Ubisoft.

Porém, um ano depois, em 2021, o jogo teve seus servidores desativados, na época, o blog próprio do jogo falou que essa não havia sido uma decisão fácil, mas depois que exploraram muitas opções com as equipes deles, chegaram a conclusão de que aquilo não era mais sustentável, eles afirmaram que gostariam de assegurar a todos que eles fizeram tudo o que podiam, especialmente com atualizações grandes, e que foi uma experiência recompensadora trabalhar com o pessoal.

A pergunta que não quer calar é: Será que eles realmente foram boicotados e por isso tiveram que fechar os servidores após um ano? Se foi isso, então essa vai para quem diz que boicote a empresas grandes não funciona, pois isso prova que funciona sim.




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