A carta aberta para a Gamescom Latam.

A carta exige a valorização dos jogos independentes brasileiros.



Muitos de vocês talvez não conheçam, mas a comunidade gamer espera muito tempo por um evento chamado Gamescom Latam. O maior evento de jogos do mundo que tinha apenas a sua versão na Europa, ganhou uma versão brasileira a partir de 2024 em São Paulo e o objetivo desse evento é que as empresas e desenvolvedores mostrem os seus jogos e produtos para o público, porém, a edição de 2025 deixou tanto a desejar que proporcionou uma carta aberta.
A Gamescom Latam de 2025 ocorreu do dia 30 de Abril até o dia 4 de Maio no Centro de Convenções no Distrito Anhembi em São Paulo e muitos desenvolvedores independentes que estavam presentes no evento para mostrar as demonstrações de seus jogos, reclamaram nas redes sociais sobre a falta de organização, falta de segurança e como seus jogos foram completamente prejudicados, ao ponto que fizeram uma thread no Bluesky falando os nomes dos jogos e os links na Steam para a galera acessar, mas o que chamou a atenção mesmo foi uma Carta Aberta.
A Carta Aberta para a Gamescom Latam foi feita pelos desenvolvedores independentes da Panorama Brasil tanto em Inglês como em Português em formato PDF e formato de Formulário Google para coletar as assinaturas de desenvolvedores e do público sobre as reclamações contra o evento, a carta de 21 páginas conta como o Brasil está se tornando um polo de jogos independentes incríveis, reconhecidos pelo mundo todo e essa carta tem como objetivo, mostrar como o incentivo ao desenvolvimento de jogos e a valorização dos desenvolvedores de jogos brasileiros é benéfica para todos.
A carta começa relatando como a Gamescom Latam não incentiva seus desenvolvedores dentro de seu próprio país, principalmente o desenvolvedor iniciante que está expondo seu primeiro jogo pela primeira vez, relatando que os estandes estavam pedindo aluguel com preços exorbitantes, aluguel de televisão por preços elevados, falta de staffs que poderiam auxiliar os desenvolvedores, aluguel de extensões de tomadas, falta de auxílio na parte de alimentação e transporte, falta de cadeiras e espaços para descanso, entre outras coisas que eram inadequadas para o padrão atual de eventos nacionais e internacionais que contém o nome de fomentadores da indústria local, alegando que tais medidas não traziam benefícios financeiros significativos para o evento, apenas trazia uma posição antagônica aos desenvolvedores, prejudicando aqueles que precisam de apoio, como os expositores do Panorama Brasil e demais desenvolvedores.
A carta também contém 12 melhorias sugeridas pelos desenvolvedores que conta com Auxílio Transporte, Voucher Alimentação, sala de descanso, telas para a exposição de jogos disponíveis sem custos extras, extensões de tomadas gratuitas, staffs para ajudar os desenvolvedores com o público como em momentos que os desenvolvedores precisem ir ao banheiro, afinal, isso foi uma enorme queixa dos desenvolvedores em relação ao evento, guarda-volumes sem custo para os expositores e até mesmo mais seguranças para evitar furtos, pois isso ocorreu na última edição da Gamescom Latam.
O documento conta com argumentos para refutar comentários que desmobilizam as sugestões dos desenvolvedores, onde eles explicam que em eventos fora do eixo Gamescom Latam e BGS, é oferecido auxílio para os desenvolvedores independentes, onde foram listados eventos internacionais como a Comic Con Panamá, SXSW Sydney, GDC, IGF e até a PlayStation Experience Las Vegas, assim como foram listados eventos nacionais como o Festival Jogatório, Festival Path, Expofeira 2024, REC'n Play, EAI Jogos + CultPro SP, Festival New Game+, GEEKARR Araraquara, G3Xpo na UNESP Rio Claro, Formemus do Espírito Santo, Senac Play, SANA, Faculdade de Tecnologia Alpha Channel, Jogos Digitais: Pensar, Criar, Jogar na UFMG, SESC Consolação e Belenzinho, Indie/Camp e o IlusTRETA no SESC Campinas.
Outro argumento refutado foi em relação aos eventos não terem dinheiro para fornecer auxílio, onde a carta menciona que a Gamescom Latam recebeu mais de R$ 30 milhões em investimentos, falado nas declarações oficiais do próprio evento, incluindo recursos públicos federais, estaduais e municipais, através de instituições como a SPCINE, a SCEIC-SP, Ministério da Cultura e Governo Federal através da Lei Rouanet, colocando as fontes da The Gaming Era e do Diário Oficial. Também é comentado pela carta que parte do orçamento vindo da Abragames era usado atualmente para bancar a vinda de influenciadores de fora do Brasil para o evento.
O terceiro argumento refutado pela carta é referente a jogos independentes não serem considerados atrações, na verdade, a Gamescom Latam surgiu do BIG Festival, também conhecido como Brazil's Independent Games Festival, sendo um evento de sucesso por vários anos seguidos, trazendo mais de 20.000 visitantes por ano e tendo os jogos independentes como atração principal, como o próprio nome do evento já dizia, mesmo mudando de nome e cobrando ingressos no decorrer dos anos, o interesse do público ainda era jogos independentes, mas com a cobrança dos ingressos em cima do trabalho não remunerado dos desenvolvedores, o evento modificou a sua dinâmica, o que resultou em atritos internos entre os desenvolvedores e o evento. E tem mais! Como o evento não era puramente comercial, os desenvolvedores não iam com a intenção de vender seu produto diretamente, até porque, muitos jogos expostos ainda não estavam disponíveis para a compra, então frequentemente os desenvolvedores oferecem experiências de entretenimento para o público, mas eles acabam saindo no prejuízo por causa da troca de vantagens mais abstratas como networking e visibilidade que prejudica os desenvolvedores menores com poucas condições financeiras, e mesmo que conseguissem vender as chaves de seus jogos, a conta ainda não fecha.
Você pode ter acesso a carta, ler e assinar nos links mencionados acima e ajudar esses desenvolvedores a garantir seus direitos dentro de mais eventos, que cobram um valor exorbitante do público, dos desenvolvedores e pega uma quantia exorbitante do dinheiro da cultura do governo para não dar o mínimo de dignidade para quem trabalha com o objetivo de garantir a atração desses eventos grandes.

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