A história de Lee Boo-jin.
Conhecida como a Herdeira da Samsung, Lee Boo-jin se envolveu em um caso que lhe rendeu um divórcio caríssimo.
Eu sempre gosto de contar as tretas da Coreia do Sul aqui, mas faz um tempo que ouvi falar sobre a história da Herdeira da Samsung e pensei: “Por que não?”, estou até surpreendida que a KoreaIN ainda não fez um dossiê dessa história, que é tão cheia de reviravoltas que eu nem sei por onde começar!
Bom, acho que é importante falarmos um pouco sobre a envolvida, não é? Lee Boo-jin nasceu em Seul em 1970, ela é filha do falecido presidente da Samsung chamado Lee Kun-hee, que era filho do fundador da Samsung chamado Lee Byung-chul. Boo-jin ficou conhecida como “Little Lee Kun-hee”, que traduzindo seria “Pequena Lee Kun-hee”, ela é considerada a princesa da Samsung por causa da semelhança e da proximidade com o Kun-hee, que era maior do que os outros três irmãos tinham.
Ela estudou nas melhores instituições da Coreia do Sul, se formou na Escola Secundária de Língua Estrangeira Daewon e se formou em Estudos Infantis na Universidade Yonsei, além disso, Boo-jin entrou na lista anual de bilionários da Forbes em 2022 com 4.1 bilhões de dólares equivalente a sua fortuna, não apenas por ser a herdeira da Samsung, mas também pela sua rede de hotéis Shilla.
A Boo-jin começou a trabalhar na Samsung em 1995 como estagiária e para se aproximar do comitê-diretor, ela não começou de cima por ser filha do presidente, ela começou desde o início e precisou pavimentar a carreira até chegar no posto mais alto. Vocês viram que eu comentei sobre os hotéis Shilla, certo? Pois é, foi em 2001 que ela começou a trabalhar nesse hotel, e a sua ajuda modernizando e expandindo o negócio fez ela se tornar CEO do hotel em 2010.
Vamos falar um pouco de tradição coreana? É dito que existe uma tradição na Coreia do Sul onde os herdeiros de conglomerados empresariais e industriais que são controlados por famílias, como o caso da Samsung, LG e Hyundai, por exemplo, se casem entre si, além disso, existe uma história que durante o regime ditatorial de Park Chung-hee, ocorrido depois da Segunda Guerra Mundial, é criado um plano de desenvolvimento econômico que começa uma das industrializações mais rápidas da história, pois selecionou dentro do cenário pré-industrial, algumas famílias que tinham poder e influência, concedendo linhas de crédito muito altas baseadas nos acordos internacionais feitos na época, era uma política de favorecimento onde o governo e o setor privado viviam em uma simbiose, então até 1980, a população não sabia o que era Samsung e o que era governo, segundo Thiago Mattos, mestre internacional em Relações Internacionais na UERJ e especialista em Coreia do Sul.
Então deixando essa relação clara entre país e empresa, uma coisa que vocês precisam saber é que tem um ditado popular no país relatando que existem três coisas inevitáveis na Coreia do Sul: os impostos, a morte e a Samsung, pois a empresa tem uma penetração muito grande dentro da sociedade sul-coreana, ao ponto de que a Samsung não administra apenas os eletrônicos como notebooks e celulares, eles também estão por trás de rede de hotelaria como o Hotel Shilla, construção civil e, até mesmo, serviços médicos, por causa disso, a vida particular da família por trás dessa empresa é acompanhada pela população como se fossem grandes celebridades, como atores, cantores e etc.
Voltando ao casamento entre conglomerados empresariais, por causa da tradição e por Boo-jin ser herdeira do maior conglomerado do país, que são chamados de chaebol, todos esperavam que a princesinha da Samsung se casasse com um herdeiro de outra empresa, e o pai dela queria muito isso, tanto que ele arranjou diversos encontros para ela, mas a moça se sentia muito pouco interessada neles.
Mesmo com todos os esforços de Kun-hee para que Boo-jin se casasse com um herdeiro, ela seguiu o lado contrário, a princesa acabou se apaixonando pelo plebeu, seu segurança pessoal chamado Im Woo-jae, um rapaz pobre que foi contratado por Kun-hee, e depois, ficou responsável pela segurança de Boo-jin, os pombinhos se conheceram em 1995 enquanto faziam uma ação social em um abrigo para crianças deficientes, foi aí que Boo-jin e Woo-jae estreitaram os laços até o dia em que ela confessou sua atração por ele, inclusive, Woo-jae chegou a comentar em uma entrevista que Boo-jin era muito frágil e dependia dele.
Óbvio que esse relacionamento não foi aceito por Kun-hee, tanto que os tabloides divulgaram na época que ele se opôs a ideia de Boo-jin se relacionar com alguém fora da elite do país, sim, parece aquelas séries monárquicas que a gente assiste nos streamings. Mas mesmo com os esforços incansáveis de Kun-hee, o namoro seguiu firme e forte até que os pombinhos se casaram, mesmo que Woo-jae afirme que ele recusou de início achando que casamento seria fora de questão por causa da diferença exorbitante das origens familiares.
O casamento aconteceu em Agosto de 1999 e Woo-jae ficou conhecido como o “Sr. Cinderela”, além disso, Kun-hee exigiu que o genro fosse estudar nos Estados Unidos para “compensar pela sua origem”, o rapaz foi estudar MBA no MIT e relatou que detestou a experiência porque não sabia nada de Inglês, como o presidente da Samsung havia pedido, ele precisava cumprir, pois dentro da empresa, as palavras do presidente são consideradas um evangelho. Ele também relata que se preparar para estudar no exterior também foi difícil ao ponto que ele tentou cometer suicídio, ele chegou a segurar Boo-jin em seus braços e começou a chorar, foi quando Boo-jin interviu na papagaiada e o Kun-hee aceitou levar Woo-jae de volta para a Coreia do Sul e ele começou a trabalhar dentro da Samsung.
Muitas pessoas especulam que o trabalho de Woo-jae na Samsung era ruim, falando que ele era desqualificado para o cargo, cometia diversos erros e tinha acessos de raiva, mas tem pessoas que falam o contrário, relatando que ele era conhecido por ser um executivo gentil que ouvia os demais.
Isso não significava que um pesadelo não aconteceria, por mais que nos primeiros anos o casamento deles fosse perfeito, sendo vistos como grandes empresários e trazendo um filho ao mundo, com o passar dos anos, surgiram na boca das Matildes que Woo-jae estaria tendo casos extraconjugais após começar a frequentar festas e começar a beber com muita frequência, mas, as traições não passavam apenas de boatos, como diria Michael Jackson: “Não acredite em tabloides”, mas tudo mudou quando Woo-jae foi mencionado no caso Jang Ja-yeon e envolveu até a polícia.
Quem me acompanha sabe que já fiz um texto falando sobre o caso Jang Ja-yeon, mas dando uma pincelada no assunto, a Jang Ja-yeon foi uma atriz sul-coreana que cometeu suicídio em 2009 e deixou uma carta enorme relatando violência sexual feitos por executivos da mídia, políticos e a galera da indústria pop, e nessa carta, ela listou os nomes de 31 pessoas, contendo sete páginas onde relatou os abusos, e pasmem, o nome de Woo-jae foi mencionado na carta.
Na investigação do caso, a polícia descobriu que em Março de 2009, no mês que a atriz morreu, Woo-jae conversou com ela por telefone mais de 35 vezes e isso fez os sul-coreanos especularem que ele estaria envolvido na morte de Jang Ja-yeon, mas nem a polícia e nem o Ministério Público convocaram Woo-jae para depor, afirmando que não encontrou evidência que o ligassem a morte dela.
Depois disso, em 2014, Boo-jin e Woo-jae decidiram se divorciar, quem abriu o processo foi a herdeira da Samsung, e mesmo sendo acatado pela Justiça, o Woo-jae pediu recurso, o que fez o divórcio se arrastar por cinco anos, ele alegou na época, que fez isso para proteger a sua família e que Boo-jin estaria, supostamente, fazendo falsas acusações contra ele, que, supostamente, os advogados estavam mentindo no tribunal que Woo-jae passava seu tempo bebendo em vez de estudar e que ele agredia Boo-jin. Inclusive, em 2016, Woo-jae entrou com uma ação paralela ao divórcio solicitando uma pensão alimentícia e a divisão dos ativos no valor de 1,2 trilhão de wons que dão aproximadamente R$ 3 bilhões e isso chamou a atenção da sociedade sul-coreana porque foi a maior ação judicial de divisão de bens que já foi registrada no país.
Óbvio que o pedido dele foi negado pela Justiça, quando o processo foi encerrado em 2019, o Tribunal da Família de Seul decidiu que Boo-jin ficaria com a guarda do filho deles e pagaria 8,6 bilhões de wons que seria equivalente a cerca de R$ 32 milhões, que já é um valor alto, mas não tão exorbitante como Woo-jae queria, inclusive, durante o processo de divórcio, ele saiu do cargo que tinha na Samsung e recebeu uma carta de rescisão de contrato em 2017, onde passou a ocupar uma função simbólica, algo comum quando ocorre a demissão de executivos de alto nível dentro da empresa.
Nós não podemos negar que a vida dela daria um ótimo drama, inclusive, já estou sedenta para alguém criar uma história com essa narrativa, se contássemos isso para as pessoas, elas provavelmente diriam que foi uma mentira ou até uma fanfic, mas não, o caso, de fato, existiu, e até hoje está rodeado de teorias.
A teoria seria sobre a dificuldade de ver mulheres ocupando cargos altos e importantes em empresas grandes como a Samsung, a Boo-jin, de fato, é uma exceção à essa regra. Agora, chegou em um ponto na Coreia do Sul em que mulheres sul-coreanas não querem ter filhos porque sabem que esse fator não as permitem entrar no mercado de trabalho, elas são subjugadas pela família para continuar sempre na posição de mãe, então as pessoas especularam que Boo-jin casou com o Woo-jae, que era um homem simples, para não abdicar da carreira de empresária.
Sendo teoria ou não, eu acredito que ela se apaixonou por ele e confiou nele, só não esperava que tudo isso fosse acontecer, mas isso podia dar um bom drama ou um bom livro.
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