Caso Jang Ja Yeon

 Atriz escreveu uma carta de sete páginas antes de falecer!

Mulher coreana com um sorriso em seu rosto, cabelos castanhos e ondulados usando enormes brincos e vestido branco. Atriz Jan Ja Yeon. Fonte: https://www.theguardian.com/world/2009/apr/01/south-korea-entertaiment-jang-jayeon

Os casos de suicídio na Ásia chegam a números alarmantes, principalmente quando a pessoa é uma celebridade, vimos acontecer com o cantor do grupo masculino SHINee, Jonghyun, porém, o caso de hoje chama a atenção por causa de uma carta necessária.

A atriz em questão era Jang Ja Yeon, nascida em 1980, ela ficou conhecida por ter atuado em um drama baseado no mangá Boys Over Flowers, ela estreou em um comercial de televisão em 2006, porém, em Março de 2009, a atriz cometeu suicídio e deixou uma carta contendo sete páginas.

Nessa carta, a atriz confessava que sofreu abuso e exploração sexual, isso teria sido o que causou a sua morte, também tornou público os favores sexuais que precisava fazer no mundo televisivo, nessa carta também havia uma lista de 31 nomes de diretores de TV, diretores de jornais, entre outras pessoas que teriam sido os responsáveis pelos abusos.

“As alegações da carta, apresentadas à mídia, desencadearam protestos e forçaram a polícia a investigar as relações de Jang com diversos homens poderosos do país.”

— Terra

Os relatos sul-coreanos afirmavam que o vilão da história era o agente de Jang, que sofreu acusações de ter molestado um modelo no Japão, Jang teria dito na carta que seu agente obrigava ela a ter relações sexuais com várias pessoas importantes que incluíam diretores, executivos da mídia e até CEOs, ela também havia sido forçada a consumir e servir bebidas alcoólicas, além de atuar como acompanhante em encontros, assim como em jogos de golfe.

A polícia chegou a fazer uma vistoria no escritório do agente, o que acabou revelando uma sala secreta com um chuveiro e uma cama no terceiro andar, o agente alegou que era inocente das acusações e que a carta era uma tentativa do antigo agente de Jang para acabar com os negócios dele, inclusive, Jang teria escrito essa carta no escritório de seu antigo agente, que foi o responsável por distribuir as cópias para a família da moça.

Por mais que o agente tivesse distribuído cópias da carta de Jang, um amigo da atriz relatou na época que não iria divulgar todos os detalhes do abuso porque isso poderia causar danos involuntários a muitas pessoas.

O caso não foi investigado direito na época, mas dez anos depois de sua morte, em 2019, o Ministério da Justiça da Coreia do Sul exigiu que o caso fosse reaberto porque foi pressionado pelos grupos de defesa da mulher, nessa investigação, entrou na história, um homem chamado Yoon-Hoon Bang que seria o presidente do Hotel Koreana e era irmão do executivo-chefe do jornal Chosun Ilbo, porque em 2008 foi confirmado que ele compareceu em encontros com Jang e teve seu nome citado na lista da atriz, inclusive, no começo de 2019, o jornal PD’s Note da emissora MBC acusou ele e os filhos de prenderem a esposa no porão de casa por quatro meses, a esposa chegou a cometer suicídio e deixou uma longa carta onde documentava todo o abuso que sofreu, mas logo saiu a notícia do escândalo da Burning Sun que tomou conta dos noticiários.

Infelizmente, a revisitação do caso terminou pouco tempo depois sem mais nenhuma informação, os portais de notícia na época falaram que, realmente, seria muito difícil conduzir uma investigação do caso.

“Segundo a imprensa norte-americana, a reabertura das investigações sobre a morte de Jang Ja-yeon são decorrentes da popularizaçao do movimento #MeToo na Coréia do Sul. Cada vez mais popular no mundo, o movimento pede o fim da cultura de estupro e assédio.”

— Monet

Mas em 2022, o ex-CEO de Jang processou duas atrizes que, supostamente, estariam envolvidas no suicídio da moça, elas seriam Lee Mi Sook e Yoon Ji Oh, o processo seria sobre difamação e fraude litigiosa, pois de acordo com os documentos constados nos autos, Yoon Ji Oh teria mentido no seu depoimento na época da investigação do caso, quando ela foi chamada ao tribunal em 2010, ela disse que Jang nunca havia sido abusada, ainda tentou inocentar o réu, porém, anos depois, Yoon mudou os seus relatos nas entrevistas, falando que Jang havia sido estuprada sob efeito de substâncias e isso se encaixaria como estupro de vulnerável para a justiça.

Yoon já havia sido processada alguns anos antes porque foi acusada de difamar Jang, além de ter sido acusada de fraude, ela recebeu doações como uma forma de apoio para a sua decisão de testemunhar contra figuras de alto escalão do entretenimento que passaram a ser investigados após a morte de Jang.

Na época, a investigação foi suspensa porque Yoon tinha se mudado para o Canadá, então seu paradeiro era, até então, desconhecido, mas em 2019, ela apareceu falando que não estava se escondendo da justiça sul-coreana. Para o advogado do caso, a fuga de Yoon era um indício da comprovação da culpa dela, pois, segundo ele, ela sabia melhor do que ninguém que os conteúdos das entrevistas e do seu testemunho foram falsos e a maior prova disso era a fuga para o Canadá, ele também alegou que Yoon usou a morte da Jang para benefício pessoal.

Já a Lee Mi Sook teria sido acusada de explorar Jang para tentar encobrir um caso amoroso com um homem que era 17 anos mais novo que ela, além de ter sustentado um homem 20 anos mais novo que ela, o advogado do caso alega que o homem embolsou 200 mil wones da atriz, isso equivale a mais de R$ 755 mil, então para cobrir os casos e evitar que Jang usasse essas informações contra ela, Lee baniu Jang da indústria do entretenimento e obrigou o empresário da atriz a escrever rumores falsos tanto sobre o CEO da The Contents Entertainment, que era a empresa onde elas tinham contrato, como também de Jang, essas ameaças e rumores teriam sido fatores que pesaram muito na hora de Jang tirar a própria vida.

“O ex-CEO de Jang foi preso em 2009 e condenado a um ano de prisão e dois anos de condicional. Em 2018, o caso da investigação da morte da atriz foi reaberto por ordens do então presidente Moon Jae InYoon Ji Oh veio mais uma vez à público falar sobre os abusos sofridos por Jang, mas tudo foi revelado como estratégias para promover o livro que ela havia escrito sobre a falecida atriz. Este fato somado às suas acusações por difamação acabaram fazendo com que a polícia fechasse novamente o caso.”

— Revista KoreaIN

Esse caso, provavelmente, ainda tem muitas coisas que não foram descobertas, apenas espero que um dia tudo seja resolvido e os verdadeiros culpados paguem pelo suicídio de uma atriz que tinha uma grande vida e carreira pela frente.



Comentários

Postagens mais visitadas