Coreia do Sul e o alerta de deepfake!

 Deepfakes pornográficos estavam sendo feitos com estudantes de escolas!

Imagem da bandeira da Coreia do Sul com uma mão mexendo no telefone no aplicativo Telegram. Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/crlrwrk929po

Em Agosto de 2024, mais um dos maiores escândalos da Coreia do Sul veio a tona, dessa vez relacionado a deepfakes, muitas mulheres criaram contas em redes sociais como o X e espalharam relatos de garotas menores de idade relatando estarem sendo gravadas pelos seus irmãos enquanto dormiam ou que deepfakes usando seus rostos estavam circulando em grupos do Telegram.

Não demorou muito para os jornais de outros países noticiarem que um grande número de chats em grupo tinham membros que criavam e compartilhavam imagens sexualmente explícitas feitas por deepfake, algumas incluíam meninas menores de idade, essas deepfakes eram criadas por Inteligência Artificial e combinavam o rosto de uma pessoa real com um corpo falso.

“Nos últimos dias, descobertas revelaram a existência de diversos grupos de chat no aplicativo de mensagens Telegram, onde adolescentes, principalmente estudantes, faziam upload de fotos de colegas e professores para criar imagens deepfake sexualmente explícitas.”

— O Antagonista

Em 2024, a polícia da Coreia do Sul já havia relatado que haviam 297 casos de crimes sexuais com deepfake nos primeiros sete meses, um número maior que do ano anterior, que registrou 180 casos no total.

Uma jovem universitária da Coreia do Sul relatou a BBC em Setembro de 2024 que ela recebeu uma mensagem anônima em seu Telegram falando que as fotos e informações pessoais da moça haviam vazado e que eles precisavam conversar, ao abrir a mensagem, a moça recebeu uma fotografia tirada há anos, quando ela ainda era uma estudante da escola, seguida por outra imagem que usava a mesma fotografia, porém, ela era sexualmente explícita e falsa, a moça ficou apavorada e não respondeu o remetente que continuou enviando as imagens com o seu rosto, mas o seu corpo praticando atos libidinosos havia sido criado pelo deepfake.

Dois dias antes desse ocorrido, uma jornalista sul-coreana já havia publicado algo que se tornou o maior furo de reportagem da carreira dela, pois, naquela época, havia saído algo sobre a polícia estar investigando redes de pornografia deepfake em duas das principais universidades da Coreia do Sul e a jornalista se convenceu de que deveria haver mais dessas coisas horríveis acontecendo, foi aí que ela começou a pesquisar nas redes sociais e descobriu que haviam dezenas de grupos no Telegram onde usuários compartilhavam fotos de mulheres conhecidas e usavam Inteligência Artificial para criar imagens falsas de pornografia em pouco tempo.

Ela relata a BBC que a cada minuto, as pessoas enviavam fotos de meninas que elas conheciam e pediam para transformar em deepfake, ela também descobriu que garotas universitárias não eram os únicos alvos daquelas pessoas, pois haviam salas de bate-papo que se dedicavam a escolas de ensino médio específicas e algumas, até mesmo, eram relacionadas a escolas de ensino fundamental.

“Se fosse criado muito conteúdo usando imagens de uma aluna em particular, ela poderia até ganhar sua própria sala. Com o rótulo genérico de “salas de humilhação” ou “salas de amigas de amigos”, elas costumam ter termos de entrada rigorosos.”

— BBC

Em algumas dessas salas, a BBC relata que era pedido que as pessoas postassem mais de quatro fotos da pessoa, junto deveriam colocar o nome, a idade e a região que a pessoa vivia, a jornalista que acabou fazendo uma reportagem sobre isso chocando o país, falou que ela ficou horrorizada com a forma como tudo era sistemático e organizado dentro desses grupos, inclusive, ela relata que havia um grupo com alunos menores de idade de uma escola que tinha 2 mil membros.

A reportagem da jornalista sul-coreana de nome Ko Narin fez ativistas em defesa dos direitos das mulheres também investigarem ainda mais o Telegram e descobriram que mais de 500 escolas e universidades haviam sido alvos desses grupos, a quantidade de pessoas afetadas não foi divulgado, mas era quase certo que a maioria eram menores de 16 anos, que seria a idade de consentimento no país, a grande parte dos agressores eram adolescentes.

Na época, as ativistas dos direitos das mulheres culparam as autoridades da Coreia do Sul por permitirem que o abuso sexual no Telegram tivesse ficado por tanto tempo sem controle, pois essa não seria a primeira vez que um caso assim ocorria, pois em 2019 já havia ocorrido um caso assim.

A polícia tentou pedir a contribuição do Telegram, mas o aplicativo se recusou, ignorando as sete solicitações enviadas para eles, o chefe da rede criminosa chegou a ser preso, condenado a mais de 40 anos, mas o Telegram não recebeu punições porque temiam censura, o que Ko Narin afirma que condenaram os protagonistas, mas negligenciaram o problema, isso teria agravado a situação e eu concordo totalmente com ela.

Inclusive, essa não teria sido a primeira vez que o Telegram não colabora com as autoridades, ainda em Agosto de 2024, o CEO do Telegram foi preso na França por causa de um mandato relacionado a crimes envolvendo o Telegram, a investigação se trataria sobre a falta de moderadores na plataforma, e o CEO foi acusado de não tomar medidas para conter os usos do Telegram para fins criminosos.

O Telegram já teve várias polêmicas por isso, em 2018, o aplicativo foi banido da Rússia depois que o CEO se recusou a entregar dados do usuário, já em 2022, o ministro Alexandre de Moraes interrompeu as atividades do Telegram no Brasil porque o aplicativo cumpriu parcialmente as ordens judiciais que tinham relação com perfis ligados a um blogueiro bolsonarista, e em 2023, também no Brasil, o aplicativo foi suspenso também por ter cumprido parcialmente as ordens judiciais para fornecer dados de participantes de grupos com conteúdo neonazista dentro da plataforma.

Infelizmente, é uma pena que ninguém tenha dado uma punição mais dura ao Telegram, o fato de não ter uma moderação é que sempre estão com esse papo sobre “liberdade de expressão” e de “censura”, por esse motivo, continuam permitindo crimes em suas plataformas. Enquanto esse app não for banido ou não ter uma punição severa, essas coisas vão continuar acontecendo na encolha, já que os responsáveis não colaboram com as autoridades.



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