Fakes do orkut?
As pessoas usavam fotos de pessoas reais para se passarem por outras no Orkut.
Imagem de moça de longos cabelos lisos e vermelhos usando uma camiseta preta e uma camisa de flanela por cima enquanto faz pose em frente a uma árvore. Anne Forfun. Fonte: https://mundodasfofas.webnode.page/entrevistas-com-fakes/
As pessoas mais novas, talvez, não saibam o que é Orkut, mas que isso marcou a minha geração e várias outras não é uma novidade! Antes do surgimento do Facebook, Tumblr, Twitter, Instagram e todas essas redes que temos hoje, junto com o MSN, tivemos o Orkut, uma rede social que foi filiada da Google desde 2004 e que chegou ao fim em 2014, o site recebeu esse nome por causa do seu projetista chefe, um turco chamado Orkut Büyükkökten, que era engenheiro do Google.
A rede social tinha como objetivo, alcançar os Estados Unidos, mas a maioria dos seus usuários eram do Brasil e da Índia, tanto que a sede do Orkut, que era na Califórnia, foi transferida para o Brasil por causa da enorme quantidade de usuários brasileiros, que só foi ultrapassada com a chegada do Facebook. O sistema contava com sala de bate-papo, com mais de 600 aplicativos com jogos, sendo o Colheita Feliz e o BuddyPoke os mais usados do site inteiro, com páginas famosas como "Eu Odeio Segunda-feira" com a cara do Garfield, mas o que mais chamou atenção e que manteve pessoas na plataforma, até mesmo, depois que ninguém mais estava usando a rede, foram os fakes.
Os fakes começaram por pessoas que usavam imagens de celebridades ou personagens fictícios criando histórias como se fosse uma espécie de RPG, coisa que acabou migrando para o Twitter e para o Facebook com o decorrer dos anos, porém, havia uma outra categoria de fakes, onde usavam fotos de pessoas existentes com nomes e sobrenomes fictícios, se passando por esses personagens originais, possuindo, até mesmo, comunidades apenas com esses fakes que interagiam entre si, foi assim que surgiram Anne Forfun, Gabriela Sampaio e Fernanda Konzen.
As meninas citadas acima, assim como alguns meninos que também tinham suas fotos pegas para isso, disponibilizavam suas fotos nas redes sociais e por serem muito bonitos, afinal, eles tinham a estética dos anos 2000, o padrão que todos queriam ser e ter, suas fotos eram usadas para a criação de perfis fakes que interagiam entre outros fakes, mas haviam pessoas que usavam para interagir com pessoas reais.
Entre 2011 e 2012, o blog Mundo das Fofas chegou a entrevistar uma delas e encontrou entrevistas sobre as outras duas moças, a Anne Forfun chegou a comentar que não se importava que usassem as fotos dela para criar fakes porque considerava um elogio, já que as pessoas escolhiam por gostarem de suas fotos, porém, ela odiava os perfis que se passavam por ela, por isso denunciava esses perfis. Já a Gabriela Sampaio afirma que não foi ela quem começou a criar fakes com suas fotos, quando ela estava no Orkut, já haviam fakes com a imagem dela espalhados pela rede, ela falou que também não se incomodava que usassem as fotos dela para criar perfis fakes, mas se incomodava muito quando se passavam por ela. A Fernanda Konzen falou em entrevista que quando viu os perfis fakes usando as suas fotos ficou com muita raiva e chorou, mas depois não deu mais importância, inclusive, achava que pessoas que faziam fakes eram idiotas que estavam perdendo o tempo deles.
Fakes nunca foram uma coisa amada da rede social, na edição 22 do Big Brother Brasil, a participante Bárbara chegou a relembrar sobre os fakes que foram criados sobre ela na época do Orkut, alegando que haviam muitos fakes usando as suas fotos com opiniões políticas que ela não tinha e queimando a imagem dela, relatando que chegou a entrar com um processo na justiça contra a Google, responsável pelo Orkut na época, pedindo para que eles derrubassem todos os perfis que usavam as suas fotos, sendo cerca de 10 mil páginas, perfis e comunidades, por causa disso, a Google não apagou apenas o perfil das pessoas, mas apagou o perfil da própria Bárbara, a impedindo de usar por muito tempo, ela afirma que depois de muito tempo que ela entendeu que perfil fake no Orkut era uma brincadeira como brincar de boneca.
Esse não foi o único problema causado por causa de fakes no Orkut, em 2007 na Índia, uma adolescente começou a receber chamadas telefônicas vulgares porque fizeram um perfil fake na rede usando as suas fotos como se ela fosse uma professora sexual, com imagens obscenas e dados detalhados como telefone e endereço, o que fez os pais da menina terem que ir até a polícia. Esse não foi o único caso na Índia, pois no início de Fevereiro daquele ano, uma aeromoça abriu um processo alegando que alguém abriu uma conta com o seu nome no Orkut e ela foi descrita como uma "mulher atingida pela luxúria".
Você deve estar se perguntando: "Criar fake não é crime?", e sim! Mas tem várias camadas. Criar fake de um personagem não é considerado um crime, porém, se você cria um fake de alguma pessoa real, você está cometendo o crime de falsidade ideológica, estando essa pessoa viva ou morta. Já houve o caso de um engenheiro no Marrocos que foi condenado a três anos de prisão por criar um perfil falso do príncipe de seu país no Facebook, assim como uma mulher nos Estados Unidos que foi condenada a um ano de prisão e teve que pagar uma multa de US$ 300 mil dólares por criar um perfil falso no MySpace que levou uma menina ao suicídio, e para não trazer apenas casos estrangeiros, o Google teve que pagar indenização para duas meninas porque perfis falsos a ofenderam no Orkut em Santa Catarina.
E você? Teve algum perfil fake no Orkut?
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