O que foi o caso NTH Room?
Um caso com cunho sexual digital chocou a Coreia entre 2018 e 2020!
Que o Telegram é palco de diversos supostos crimes não é novidade, a rede social já foi bloqueadas várias vezes no Brasil por não colaborarem com investigações de autoridades e o CEO da plataforma foi preso na França por permitir esses crimes de acontecerem, mas um crime dentro do Telegram que chamou a atenção foi o NTH Room ocorrido na Coreia do Sul.
O NTH Room foi um caso onde crimes sexuais ocorriam em grupos do Telegram que eram nomeados por números do 1 ao 8, nesses grupos, os usuários pagavam para ver mulheres, algumas até mesmo menores de idade, em atos sexuais humilhantes por meio de coerção, o responsável por esse absurdo era um homem de 25 anos, na época conhecido como Cho Joo-Bin, com mais de nove grupos privados na plataforma com homens que pagavam mais de 1000 euros, ele era o líder desse crime e chantageava as mulheres para ter esse tipo de conteúdo e vender o acesso a eles.
O que trouxe o caso a tona foram duas estudantes de jornalismo que descobriram tudo graças a um trabalho acadêmico de investigação sobre crimes sexuais online em Julho de 2019, mesmo que os grupos fossem privados, os acessos eram encontrados de forma fácil, pois bastava usar as palavras-chave na pesquisa, elas encontraram outros administradores, mas focaram em Cho Joo-Bin por possuir oito grupos na época, com alguns possuindo 9 mil membros e usava o codinome Baksa, que significa doutor ou guru em coreano.
A Agência Nacional de Polícia alegou que Cho estava sendo acusado de produzir e vender conteúdo sexual explorando menores de idade, pelo menos 74 mulheres, sendo 16 menores, foram abusadas sexualmente, exploradas e torturadas por muitos meses, as vítimas teriam sido escravizadas com a ameaça de que suas fotos nuas seriam distribuídas se não obedecessem as ordens dadas, elas também foram forçadas a tirar fotos e se filmar em atos libidinosos e desumanos.
No site Cheong Wa Dae, foi feita uma petição que 2,4 milhões de pessoas assinaram exigindo que a polícia revelasse a identidade dos suspeitos, o presidente da Coreia do Sul na época pediu uma investigação completa sobre os crimes.
As acusações contra Cho Joo-Bin eram tão sérias que os advogados de defesa dele se demitiram, na época, o escritório de advocacia falou para a CNN que o motivo da decisão teria sido porque as informações que haviam recebido da família dele quando aceitaram o caso eram muito diferentes dos fatos.
O problema maior nisso é que o Telegram é criptografado, isso significa que por causa do anonimato da plataforma, os participantes da sala de bate-papo permanecem em anonimato, além disso, em muitos momentos, Cho recebeu o pagamento em Bitcoin, no qual não tem um banco supervisionando as transações.
Cho Joo-Bin tinha um esquema pronto para chantagear as suas vítimas, ele encenava como se fosse um policial em investigação e mandava mensagens diretas pelo Twitter fingindo ser uma autoridade, dando a entender que o conteúdo íntimo sobre essas mulheres teria vazado de alguma forma e que deveriam passar por um sistema seguro, era aí que ele enviava um link com a premissa de ajudar na prevenção de vazamentos indesejados, quando essas mulheres acessavam esse link, eram mandadas para um site com uma fachada parecida com o Twitter, mas na verdade, ligava ao servidor de Cho, ele recebia o login e a senha delas, e assim, ele ganhava o acesso aos dados pessoais e os conteúdos privados como fotos, endereços e até mesmo números de telefone.
Ao acessar o material coletado, ele contatava as moças fazendo chantagens com ameaças de divulgar as fotos e crimes mais sérios que podiam afetar a vida das mulheres e das famílias delas, em troca, elas deveriam aceitar serem feitas de escravas sexuais dele por uma semana, mas o período nunca era apenas uma semana, ele conseguia mais material privado que usava para praticar novas chantagens, enquanto ele lucrava com as pessoas pagando para acessar essas imagens.
Esse caso chocou a sociedade sul-coreana, artigos científicos foram feitos em relação a esse caso, onde foi dito que se a sociedade se recusasse a abordar a realidade da situação, outra NTH Room surgiria, mas provavelmente com um nome diferente, então uma saída deveria ser encontrada em meio a esse evento trágico. Nesse caso, não é uma mentira, tivemos o caso Burning Sun e o caso do deepfake que também chocaram a sociedade sul-coreana.
A verdade é que não adianta nada esses casos chocarem a sociedade sul-coreana quando são expostos, se depois que tudo isso passa, é esquecido e ninguém faz qualquer coisa para impedir que novos casos aconteçam, mesmo que mulheres continuem expondo esses casos, o feminismo é algo ruim aos olhos dos sul-coreanos e apenas ganham voz quando jornais de outros países dão visibilidade, é quando eles vem a público falar que sentem vergonha, então está na hora das autoridades e dos políticos sul-coreanos tomarem uma providência para evitar que essas coisas voltem a ocorrer.
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