O católico que tomou uma invertida dos bispos!

 Foi ser antivacina e tomou no rego da sua própria religião!

Bandeira da Flórida – Wikipédia, a enciclopédia livre 
Bandeira branca com duas faixas vermelhas em X com um brasão no meio de uma mulher em um jardim escrito "Grande selo do Estado da Flórida, em Deus nós confiamos. Bandeira da Flórida. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeira_da_Fl%C3%B3rida
 
Novamente trago para vocês mais um babado que apareceu no meu Bluesky, dessa vez, a pessoa contou há um mês atrás sobre um caso de um procurador-geral da Flórida que começou a exigir explicações sobre porque as escolas católicas do Estado estavam exigindo que os seus alunos fossem vacinados, até que ele toma um balança caixão dos bispos católicos. Eu salvei a história para ler quando tivesse tempo, e como ultimamente eu ando com bastante tempo para ler essas coisas por enquanto, me deparei com esse post e achei tão interessante que decidi trazer aqui, como vários outros posts anteriores como o da música sobre lamber o cu do Mozart e sobre a mulher que foi morar em um tanque com um golfinho.
 
Uma coisa que vocês precisam entender antes de tudo é que a taxa de vacinação na Flórida tem caído muito, mesmo com um surto de sarampo acontecendo em 2024 por lá, ainda assim se viu uma queda significativa na taxa de imunização do Estado, principalmente nos alunos do jardim de infância, em Broward por exemplo, apenas 82,2% dos alunos de jardim de infância receberam as vacinas necessárias, sendo esse considerado o nível mais baixo nos últimos 15 anos, o objetivo da saúde pública de lá é que a taxa seja de 95%, um nível que torne improvável que uma infecção cause um surto da doença.
 
Segundo o site do Medical Xpress, essa taxa de declínio na imunização de crianças está refletindo o debate acalorado que tomou conta das redes sociais e dos pais no sul da Flórida, pois muitos pais estão duvidando do sistema de saúde, já as autoridades estão se concentrando na vacinação dos alunos do jardim de infância porque as escolas primárias são os pontos-chaves para a proliferação de germes e a disseminação para a comunidade.
 
Isso não acontece apenas em Broward, em Palm Beach foi relatado que 89,8% dos alunos do jardim de infância em 2024 receberam as suas vacinas, fazendo a taxa estadual para vacinas no jardim de infância na Flórida ser de 88,8%, sendo bem abaixo do nível nacional que é 93%. 
 
O Miami Herald afirma que os níveis de vacinação estão muito abaixo do considerado adequado até mesmo para a imunidade de rebanho, que requer uma taxa de 95% para evitar que a doença seja propagada, fora que a ideia da imunidade de rebanho é proteger justo as pessoas imunocomprometidas ou que não podem se vacinar por questão de saúde.
 
Vocês devem estar se perguntando: os pais podem se recusar a vacinar os seus filhos dessa forma? Afinal, aqui no Brasil, as crianças são obrigadas a serem vacinadas, isso se tornou uma obrigatoriedade desde 2025, depois de anos com pessoas sendo antivacinas e doenças que foram erradicadas voltando a serem propagadas, afinal, o STJ confirmou até mesmo a legalidade de uma multa aos pais que se recusassem a vacinar seus filhos, mas lá nos Estra...digo...nos Estados Unidos, cerca de 45 Estados estadunidenses ainda permitem a isenção da vacina por questões religiosas, o único Estado que proibiu o uso da religião como motivo para não vacinar os filhos foi Nova York que estava sendo afetada com 550 casos reportados de sarampo em 2019, chegou até a ser declarado estado de emergência e emitido uma ordem mandando os nova-iorquinos adultos e com mais de seis anos fossem se vacinar em 48 horas e quem resistisse, seria multado em US$ 1 mil, segundo o G1.
 
Outra coisa que vocês precisam saber para entender o caso do procurador-geral são os vouchers escolares, que são bolsas de estudo que são financiadas pelo Estado ou pelo distrito escolar para permitir que os alunos frequentem uma escola particular que seja escolhida pela família, para que eles não sejam enviados para uma escola pública, acontece que, por causa desses vouchers, ainda mais educação católica começou a entrar em uma demanda maior na Flórida, já que o Estado estava entre os nove que expandiram os programas de vouchers escolares em 2023, e tinham tantas famílias se inscrevendo para o reembolso das mensalidades financiadas que já estavam excedendo os orçamentos das escolas.
 
Para vocês terem uma ideia, tem 64 escolas católicas financiadas por esse sistema de vouchers escolares que são da Arquidiocese de Miami, e nos últimos anos, as matrículas haviam aumentado ainda mais, atingindo o pico mais alto em mais de uma década por serem acelerados pelo programa.
 
 
É aqui que começa a nossa polêmica, tudo começou quando o procurador-geral James Uthmeier enviou uma carta para a Conferência dos Bispos Católicos em Julho pedindo para que as escolas católicas permitissem os alunos a não tomarem vacinas obrigatórias do Estado por motivos religiosos, isso seria uma lei estadual que permite aos pais optarem por não vacinar os filhos usando a isenção religiosa, porém, as escolas católicas da Flórida não aceitam essa isenção porque a igreja não ensina que as vacinas são intrinsecamente más, até mesmo aquelas que são feitas com células fetais abortadas.
 
Na carta do procurador-geral, ele afirma que estava confiante que os ensinamentos católicos não obrigariam as famílias a vacinar os seus filhos e que as escolas não tinham razão religiosa legítima para recusar a isenção da vacina, e ainda ameaçou as escolas de perder os vouchers estaduais caso não cumprissem a isenção. 
 
Eu não preciso dizer que os bispos responderam a carta do procurador-geral, certo? A resposta foi enviada no início de Agosto pelo diretor executivo da conferência que falou que os bispos do Estado não precisam justificar a sua posição sobre o ensino católico, afirmando que qualquer funcionário do governo que insinue poder ditar para a Igreja Católica e qualquer outra religião como aplicar os seus princípios e dogmas viola os direitos de liberdade religiosa constitucional que são bem estabelecidos. Ele também foi acusado de violar a Primeira Emenda e a autonomia da igreja ao apontar a exigência de que o grupo explicasse os motivos religiosos que ele usa para rejeitar a isenção das vacinas, inclusive deixando claro que o governo não pode decidir que o ensino da Igreja é insuficientemente religioso e também não pode exigir que os líderes religiosos defendam a sua interpretação da doutrina perante autoridades civis como condições para operar escolas religiosas, pois o catolicismo é uma religião hierárquica, então enquanto os católicos debatem a melhor forma de aplicar os ensinamentos da Igreja, não é o Estado que define a política, e sim, o bispo de uma diocese. 
 
Aparentemente, a carta não mudou o pensamento do procurador-geral, que postou em suas redes sociais que a Igreja Católica insiste que as vacinas são obrigatórias e que esse é um ensino completamente novo, sugerindo que as escolas católicas tivessem seus vouchers escolares removidos, porém, a porta-voz da Conferência dos Bispos Católicos da Flórida afirmou que não houve interrupção para estudantes de escolas católicas que usam os vouchers estaduais e que a conferência não recebeu nenhuma resposta desde quando enviou a carta para o procurador-geral em Agosto, mesmo que o diretor executivo da conferência tenha se oferecido para se encontrar com o procurador-geral em sua carta, sendo o único feedback recebido o tal post que Uthmeier fez nas redes sociais.
 

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