Os Crimes de Deep Fake na Coreia do Sul

 Os crimes de Deep Fake continuam aumentando

Imagem de mulher loira no centro com medições em linhas no seu rosto, no lado esquerdo a imagem de outra mulher com cabelos cacheados e no lado direito uma mulher loira de cabelos lisos, a do meio parece um resultado da mistura entre as duas fotos. Fonte: https://estudio.folha.uol.com.br/unico/2022/10/entenda-o-que-e-deep-fake-e-saiba-como-se-proteger.shtml

Não é a primeira vez que eu falo sobre o problema de Deep Fake na Coreia do Sul, há algum tempo eu falei sobre um alerta de Deep Fake pornográfico que era feito entre estudantes de escola, basicamente muitas alunas estavam sendo gravadas pelos seus próprios irmãos enquanto dormiam ou tinham vídeos falsos postados em grupos de Telegram. Essa não teria sido a única vez que isso acontecia na Coreia do Sul, pois eu também falei que ocorreu um caso chamado NTH Room, onde um homem enganava e chantageava mulheres com vídeos de cunho sexual e vendia esses conteúdos para membros de nove grupos no Telegram por mais de 1000 euros.

A verdade é que essa papagaiada nunca acabou, mais e mais grupos no Telegram com esse intuito são criados e mais mulheres continuam sendo vítimas desses deep fakes, a maior prova disso é que em 2024, a Revista KoreaIn afirma que um estudante universitário e outros 474 suspeitos foram presos na Coreia do Sul por crimes sexuais envolvendo deep fakes. O estudante universitário teria compartilhado mais de 700 conteúdos pornográficos deep fake com colegas do ensino médio e de faculdade, isso teria sido feito com fotos postadas pelas meninas nas redes sociais, nos quais enviou para as vítimas e as ameaçou com a punição de distribuir o conteúdo para todos, caso não cumprissem as suas exigências.


Um total de 300.237 conteúdos pornográficos foram excluídos graças a ajuda do centro de advocacia, um em cada quatro casos envolveram vazamentos de informações pessoais com o nome e a idade das vítimas, os sites adultos também foram responsáveis pelas exclusões com 43%, mas o problema é que 95,4% dos sites pornográficos são hospedados no exterior, o que dificulta a fiscalização e a remoção do conteúdo, assim como é dificultoso rastrear os autores já que houve um aumento do conteúdo deep fake que acaba sendo produzido e redistribuído de forma anônima, o que dificulta o rastreamento.



No início de 2026, foi criado um relatório afirmando que 1 em cada cinco estudantes universitários homens que criaram deep fakes afirmaram que fizeram isso para assediar alguém ou ter alguma gratificação sexual, a pesquisa feita pelo Instituto Coreano de Desenvolvimento da Mulher ouviu 1500 estudantes universitários de toda a Coreia do Sul, sendo 750 homens e 750 mulheres, e 218 respondentes disseram que criaram deep fakes com Inteligência Artificial e entre os homens respondentes, 131 responderam terem criado deep fakes comparado com 87 mulheres, as respostas mais comuns para os motivos seriam trabalhos escolares, criar memes, criar obras criativas (???) e para brincar com amigos, mas uma minoria respondeu gratificação sexual e para assédio.

As respostas divergiam bastante referente ao sentimento de caso um crime digital desses ocorresse no campus, onde as mulheres afirmaram se sentirem ansiosas, com medo, em choque e com raiva e os homens afirmaram que ficariam surpresos, mas não se sentiriam afetados, o que fez os pesquisadores alertarem que a falta de empatia e compreensão entre os estudantes masculinos pode criar danos secundários para as vítimas, já que eles observam crimes sexuais como algo não relacionado a eles ou separam como comportamentos individuais, enquanto as mulheres são mais propensas a vê-los como uma ameaça em potencial.


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